Paulo Vitor/AE
Paulo Vitor/AE

Sem apoteose, Jabor emociona

A Suprema Felicidade, que abriu a mostra carioca, foi aplaudido, mas não ovacionado pelo público

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2010 | 00h00

Havia gente demais no Cine Odeon BR, na quinta-feira à noite, na inauguração do Festival do Rio 2010. Com direito a holofote e tapete vermelho na entrada, a cerimônia atraiu uma multidão que queria ver as celebridades. Havia um monte delas - do teatro, cinema e da televisão. Os humoristas da televisão corriam atrás delas como mariposas atraídas pela luz. Astro da noite, Arnaldo Jabor encerrou seu jejum de 24 ou 20 anos - depende de qual se considera seu último filme, o longa Eu Sei Que Vou Te Amar, que fez no Brasil, em 1986, ou o curta Felicidade, de 1990 - mostrando A Suprema Felicidade. O filme é deslumbrante, com muitos momentos antológicos que, desde já, fazem parte da história do cinema brasileiro. Foi aplaudido - mas sem apoteose. Algumas pessoas se queixavam, no fim, de que a Felicidade de Jabor não dera liga. Para elas, é bom ressaltar.

Como sempre, a abertura de um evento tão grande virou palanque para manifestações políticas, a pouco mais de duas semanas da eleição. Hilda Santiago e Walkiria Barbosa, representando a equipe que realiza o festival, fizeram discursos complementares. Hilda saudou as parcerias de amigos - patrocinadores, distribuidores, exibidores, embaixadas e os diretores, claro. Walkiria pediu mais democracia, olho dos candidatos na questão da pirataria e aproveitou para bater no projeto para regulamentação dos direitos autorais. Ela tomou partido principalmente dos autores de documentários sobre pessoas mortas (sem se referir a elas). Hoje em dia, existem herdeiros demais entravando o resgate de grandes personalidades. Todo mundo quer ganhar dinheiro, e esse gênero de filme quase nunca é estouro de bilheteria. Jabor, polemista como na TV e no jornal, disse que o festival ajuda a recuperar a importância cultural do Rio, após décadas de governos "canalhas". Foi muito aplaudido.

Após a abertura solene para convidados - e a festa no Barracão da Solidariedade, que entrou pela madrugada -, a maratona começou ontem para o público. Desde cedo, havia filas de espectadores tentando comprar ingressos em vários pontos de exibição. Pela internet, os ingressos dos principais filmes - vencedores de grandes festivais, principalmente - já estavam esgotados. À noite, um dos homenageados deste ano, o cineasta polonês Jerzy Skolimowski, mostrou seu filme Essential Killing, premiado em Veneza. Também à noite, Helena Ignez apresentou o filme que dirigiu, em parceria com Ícaro Martins, a partir do roteiro de Rogério Sganzerla dando sequência à saga do Bandido da Luz Vermelha - Luz nas Trevas.

Tropa 2. Skolimowski é o primeiro de uma série de convidados internacionais que já estão no Rio, para o festival. Virão também os diretores Amos Gitai e Bruno Dumont e muitos outros cineastas de diferentes países, inclusive uma delegação da Argentina, a cinematografia homenageada neste ano. Roman Polanski ganha uma exposição de fotos e cartazes de filmes que dirigiu e nos quais atuou. Para completar a homenagem, um ciclo de debates vai tentar esclarecer aspectos controvertidos de sua obra, como se apreende dos títulos de alguns desses encontros - O Mal em Polanski, O Cinema de Polanski - Transgressão, Perversão, Diversão, etc. Amanhã, haverá uma mesa para debater a pirataria. Convidado de honra - José Padilha. Para evitar que Tropa de Elite 2 chegue primeiro às bancas de marreteiros, o próprio cineasta assumiu a distribuição do filme apontado para estrear em 8 de outubro. Padilha não mostra Tropa 2 no Festival do Rio, ao contrário do primeiro filme. Para atender a compromissos com patrocinadores, o filme estreia dia 5, em Paulínia, e vai diretamente para os cinemas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.