Sem alarde, 'A Filha do Pai' conquista o público

Astrid Bergès-Frisbey é a própria "fille du puisatier", a filha do poceiro, no filme que Daniel Auteuil adaptou de Marcel Pagnol. Com dupla nacionalidade, francesa e espanhola, Astrid, embora jovem, já teve uma passagem por Hollywood, onde fez a sereia de Piratas do Caribe - Navegando em Águas Misteriosas. Como ela disse, o que Daniel Auteuil se propôs em A Filha do Pai (título que o filme recebeu no Brasil) foi o prazer do texto de Pagnol. "É um autor regionalista, que trouxe para o teatro e o cinema o sotaque meridional. Nem sempre é fácil, e pode soar caricatural, mas Daniel, com seu amor dos personagens, conseguiu."

AE, Agência Estado

31 de dezembro de 2012 | 09h25

Sem alarde da crítica, A Filha do Pai tem levado bom público aos cinemas que exibem o filme. No fim da sessão, os espectadores, principalmente os mais velhos, permanecem atados às poltronas para desfrutar até o fim a delícia de ouvir Catarí, na voz de Enrico Caruso, que serve de motor para a trilha de Alexandre Desplat. É a música preferida de "mamãe", mas, quando o filme começa, ela já morreu. O poceiro, o próprio Daniel Auteuil, cria as filhas e Astrid, que foi para Paris, volta para cuidar das irmãs e do pai. Ela se envolve com o filho do dono da loja. Ele parte para a guerra, Astrid engravida, o pai a expulsa de casa. O pai reflete com amargura - nada disso teria ocorrido, se a mulher estivesse ali. Tudo termina bem - o excesso de convenções melodramáticas faz de A Filha do Pai um belo exemplar do gênero. Mas, não se iluda, o tempo todo o diálogo de Pagnol está subvertendo a imagem e, muitas vezes, o próprio sentido das cenas. Daniel Auteuil sabe disso - a despeito de sua aparente leveza, o filme trata o tempo todo de dilemas morais.

A Filha do Pai começa muito falado, e essa é uma característica que, até o final, não será abandonada, embora a paisagem da Provence cada vez se faça mais importante. A imagem é aquilo que os franceses chamam d?Épinal - de uma beleza de cartão postal. E o tempo todo o que está em cena é o conceito de família. O pai, que rejeita a filha, a traz de volta para casa, por amor ao neto, que carrega seu nome. A reviravolta do final traz saborosas reflexões sobre quem pertence a quem. O avô quer deixar claro que o neto é dele. O pai tem uma fala shakespeariana em que encerra o assunto, dizendo que o avô é que é do neto. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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