SELETA DE CLÁSSICOS

A Royal Opera House abre dia 1º a temporada 2013 do Teatro Municipal do Rio com trechos de obras-primas

MARIA EUGÊNIA DE MENEZES, O Estado de S.Paulo

22 Fevereiro 2013 | 02h08

Caberá à Royal Opera House abrir a temporada 2013 do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Nos dias 1.º, 2 e 3 de março, oito primeiros-bailarinos do Royal Ballet unem-se à Orquestra Sinfônica do Rio e a três cantores da prestigiosa casa britânica, para apresentar uma Gala. No lugar de uma única coreografia, o corpo de baile exibirá uma seleta de trechos dos maiores clássicos de seu repertório, como O Lago dos Cisnes e Romeu e Julieta.

Fosse apenas esse o propósito da estada do Royal Ballet no País já seria um feito notável. Trata-se da mais importante companhia de dança do Reino Unido, sede de alguns dos melhores artistas do mundo. As apresentações marcadas para esse início de temporada, porém, são só o começo de uma parceria de longa duração entre o teatro carioca e a instituição britânica.

A relação deve culminar, em 2015, com uma turnê do Royal Ballet no Brasil. E tem, como foco principal, o estabelecimento de um extenso programa de educação, formação de plateias e treinamento de profissionais envolvendo os dois países. Artistas e gestores do teatro do Covent Garden, de Londres, já estão na capital fluminense e promovem durante dois dias um Simpósio Educacional voltado para profissionais da área.

"Somos uma casa de ópera internacional, e os melhores artistas do mundo passam pelo nosso palco. Mas, surpreendentemente, no século 21, percebemos que é preciso ser muito mais do que uma grande sala de espetáculos e sede de importantes companhias", disse Tony Hall, diretor-geral da Royal Opera House, em entrevista ao Estado. "Temos um extenso programa educativo, reconhecemos nosso papel no desenvolvimento das indústrias culturais. E essas mudanças no nosso trabalho estão trazendo também a oportunidade de compartilhar experiência e conhecimento com outros teatros, em outros países."

Não por acaso o ROH escolheu o Rio de para estabelecer o vínculo. A parceria das duas instituições integra o festival Transform, do British Council, um programa que busca criar conexões duradouras entre Londres, sede da Olimpíada de 2012, e o Rio, base dos próximos jogos, em 2016. "Não poderia haver momento mais oportuno para estabelecer uma parceria com o Rio", aponta Kevin O'Hare, diretor do Royal Ballet.

Para além da iminência do grande evento esportivo, outro dado atraiu a atenção da Royal Opera House. Os programas de cinema que exibem os balés e óperas da instituição são sucesso pelo mundo, mas se tornaram um fenômeno entre os brasileiros. "As sessões de cinema do ROH têm sido um caminho maravilhoso para estar em contato com pessoas ao redor do mundo", diz Hall. "Nossa sala tem de 2 mil lugares e nós operamos com 95% da casa lotada. Nesse contexto, ser capaz de mostrar um mesmo espetáculo em 900 cinemas é garantir que um número maior de pessoas vai apreciar o nosso trabalho."

De acordo com Kevin O'Hare, "O Brasil já é nosso quarto maior público, entre 32 países". Além disso, o Royal Ballet tem dois brasileiros - Thiago Soares e Roberta Marquez - entre os seus primeiros-bailarinos. "Em resumo, é como se todas as evidências nos chamassem para aí nesse momento."

O novo e o clássico. Há décadas, o País não assistia ao vivo a uma exibição da companhia de dança de Londres. "E nós mudamos imensamente nesse período", esclarece o dirigente do Royal Ballet, explicando a escolha do repertório. Haverá boa parte das coreografias que notabilizaram o grupo: o pas de deux do Cisne Negro, em O Lago dos Cisnes, a cena do balcão em Romeu e Julieta, um trecho de Manon, outro de Dom Quixote. Mas o espetáculo também deve incluir obras contemporâneas da companhia, amostras das criações de seus coreógrafos residentes. Caso de After de Rain, do artista Christopher Wheeldon. "É uma oportunidade incrível, ter um coreógrafo que cria uma obra para você, a partir do seu corpo e dos seus movimentos", considera o brasileiro Thiago Soares, que integra o elenco. "Tudo isso unido à técnica clássica, a balés que são dançados há séculos, por grandes bailarinos."

Atualmente, o teatro britânico já desenvolve um programa semelhante com a China e o National Centre for the Performing Arts, em Pequim. "É uma relação que já tem cinco anos e funciona muito bem. Inicialmente, colaboramos com o programa educativo. A partir daí, começamos também um intercâmbio entre os técnicos. Desenvolvemos programas de treinamento que asseguram o mais alto nível técnico", conta Tony Hall. "Afinal, temos que ser extremamente eficientes para fazer o melhor e conseguir abrir os espetáculos no horário todas as noites."

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