Seleção de atores começa nos próximos dias

A empresária Ruth Escobar vai iniciar nos próximos dias audições para selecionar atores, bailarinos e artistas performáticos ou circenses para o elenco de Os Lusíadas - que terá 81 profissionais em cena, entre atores (45), bailarinos (28) e atores performáticos (8). As audições deveriam começar na quarta-feira, mas foram adiadas em razão da mudança de planos para a direção do espetáculo - inicialmente, deveria ser o diretor Márcio Aurélio, mas uma enfermidade o afastou da montagem na semana passada. Gerald Thomas assumiu o posto. Não há prazo para o início das audições, mas já é possível fazer inscrições no Teatro Ruth Escobar, das 14 às 20 horas.Camões - O desafio de montar Os Lusíadas é tão épico quanto o poema de Luís de Camões. O escritor nasceu em 1524 ou 1525, provavelmente em Lisboa, filho de Simão Vaz de Camões e Ana de Sá. Há quem defenda que ele pertenceu à nobreza, mas essa questão ainda é controversa. Um documento de 1553 o refere como "cavaleiro fidalgo" da Casa Real - embora ser nobre, em Portugal, não constituísse uma garantia econômica.Quando Camões escreveu o poema Os Lusíadas, Portugal era a nação mais moderna de sua época. Jorge de Sena escreveu que Camões sentia-se "nobre, mas perdido numa massa enorme de aristocratas socialmente sem Estado, e para sustentar os quais não havia Índias que chegassem, nem comendas, tenças, capitanias etc".Teria feito seus estudos iniciais com um parente, d. Bento, e passado também pela Universidade de Coimbra e pelo Mosteiro de Santa Cruz. Viveu em Lisboa entre 1550 e 1553. Em uma expedição a Ceuta, foi ferido e perdeu um olho.Era um bon vivant e disso há inúmeros e saborosos relatos. Seu estilo irônico e sarcástico parece revelar um autor boêmio e desregrado, mulherengo e brigão. Pouco antes de sua partida para a Índia, ele protagonizou uma arruaça no Rossio, na qual feriu um certo Gonçalvo Borges. Foi preso por isso e passou alguns meses na cadeia do Tronco, de onde só saiu embarcado.Foi soldado durante três anos e participou de expedições militares que também viraram poemas, como O Poeta Simónides (na qual trata de expedição ao Malabar, em novembro de 1553). Esteve também em Macau e em outras regiões do império português. Num desses exílios, a nau em que regressava naufragou e o que se conta é que o poeta, posto diante da escolha de salvar seu dinheiro ou os manuscritos de Os Lusíadas, optou pelos manuscritos. Foi na foz do Rio Mecon, episódio descrito na estância 128 do Canto 10.14 anos na prisão - Na chegada a Goa, na Índia, foi preso pelo governador Francisco Barreto. Ficou 14 anos preso - também esteve na cadeia outra vez, por dívidas, em Moçambique. Conta-se também que, na ocasião da prisão em Moçambique, teriam lhe roubado uma outra grande obra lírica, O Parnaso, publicada somente após sua morte. Depois, voltou a Portugal.Pela publicação dos Lusíadas, em 1572, ele ganhou um prêmio de 15 mil réis, mas nunca chegou a ser rico. Morreu em 10 de junho de 1580. Algum tempo mais tarde, d. Gonçalo Coutinho mandou gravar uma lápide para o seu túmulo, onde se lê: "Aqui jaz Luís de Camões, príncipe dos poetas de seu tempo. Viveu pobre e miseravelmente, e assim morreu."Após sua morte, em 1587, foram editados os autos Enfatriões e Filodemo. Em 1595 tem lugar a primeira edição das Rimas. Nada do que escreveu, no entanto, marcou tanto a imaginação e a memória dos países em língua portuguesa do que Os Lusíadas, cujos versos chegaram a ser reproduzidos pelo Estado nos tempos da censura do governo militar. "As armas e os Barões assinalados/ Que da Ocidental praia Lusitana/ Por mares nunca de antes navegados/ Passaram ainda além da Taprobana/ Em perigos e guerras esforçados/ Mais do que prometia a força humana", canta o poema épico, em seu Canto 1.

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