Seleção da semana

Prepare-se para um grande acontecimento, nesta e nas próximas semanas. Estão chegando os campeões de indicações para o Oscar de 2012, para os melhores do cinema em 2011. O primeiro a chegar é O Artista, do francês Michel Hazanavicius, que conta a história de um astro decadente do cinema mudo de Hollywood. O Artista estreia na sexta. Na próxima semana, será a vez de A Invenção de Hugo Cabret, de Martin Scorsese, sobre o resgate de um pioneiro do cinema francês, inspirado do lendário Georges Méliès, cujo clássico Viagem à Lua é recriado em futurista 3-D. Mais do que uma circunstância divertida - a espécie de inversão, o diretor francês voltando-se para os primórdios de Hollywood, o norte-americano indo à fonte do cinema, na Franca -, o que esses dois filmes colocam é algo muito mais intrigante. Por que, no momento em que tanta gente decreta a morte do cinema e a consolidação do digital, justamente a Academia de Hollywood, com fama de conservadora, está celebrando o cinema das origens?

O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2012 | 03h01

Vai ser assunto para discussão nos próximos dias, e semanas, até a festa de entrega do Oscar, que este ano será no domingo, 26. Agora, é hora de falar de O Artista. Desde que estreou no Festival de Cannes, ano passado, tem havido um bochicho muito grande em torno do filme. O diretor Hazanavicius e o ator Jean Dujardin são muito populares na Franca, graças, principalmente, à série do agente 0017, uma paródia de James Bond com Dujardin no papel de um 007 mais sexy e menos equipado (em termos de alta tecnologia). Já foi, não um escândalo, mas algo inusitado quando Cannes estendeu o tapete para uma dupla tão popular. O filme terminou aureolado com o prêmio de interpretação masculina e Dujardin é agora o favorito na disputa pelo Oscar de melhor ator, depois de haver vencido o Globo de Ouro da categoria e o SAG, o prêmio dos sindicato dos atores.

Ao contrário de Hugo Cabret, com sua tecnologia de ponta, O Artista parece remar na contracorrente. Sem diálogos, em preto e branco. Tudo isso faz parte da elaboração estética do projeto mais artístico do diretor Hazanavicius. Ele é casado com a estrela feminina do filme, Bérénice Bejo. O filme é a concretização de um sonho que ele perseguiu por mais de dez anos. O preto e branco é deslumbrante, o som é um elemento decisivo, até porque o filme se passa na transição do cinema silencioso para o sonoro. Mas a grandeza de O Artista vem da química de Dujardin e Bejo, e do cãozinho que, você vai ver, resolve a parada na hora H. O Artista concorre em dez categorias, incluindo filme, diretor, ator e atriz coadjuvante. Nunca uma produção francesa chegou tão longe no Oscar. Hugo concorre em 11. Quem vai ganhar? Pois são, os dois, ótimos filmes. / LUIZ CARLOS MERTEN

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