Seleção da semana

UM AUTOR EM RETROSPECTIVA

, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2011 | 00h00

David Cronenberg mostrou em Veneza seu novo filme, adaptado de uma peça de Christopher Hampton sobre a relação entre Sigmund Freud e Carl Jung no alvorecer da psicanálise. Os cinéfilos de carteirinha estão ouriçados, perguntado-se se A Dangerous Method estará na Mostra de São Paulo, ou no Festival do Rio? À espera desse novo Cronenberg, o público poderá assistir, a partir de quarta-feira, no Centro Cultural Banco do Brasil, à grande retrospectiva que estará trazendo à cidade a íntegra do autor canadense.

Todo, ou quase todo Cronenberg. Será uma oportunidade rara para se reavaliar, em bloco, a obra de um cineasta que só tem feito consolidar seu prestígio. Cronenberg começou, ainda nos anos 1970, fazendo filmes de horror - baratos no custo, mas não na extravagância de sua imaginação. Calafrios, de 1975, já antecipa o que será uma das tendências da obra, e do autor. Parasitas destinados a liberar a sexualidade invadem um prédio e desencadeiam bacanais. Dessas orgias podem nascer as crianças mutantes e assassinas que materializam os ódios de Samantha Eggar em Os Filhos do Medo, de 1979.

Nos anos 1980, surgem Scanners - Sua Mente Pode Destruir, A Hora da Zona Morta e Gêmeos - Mórbida Semelhança. Nos 1990, Mistérios e Paixões e M. Butterfly. Nos anos 2000, Marcas da Violência e Senhores do Crime.

Lidando com sexualidade reprimida e os medos mais íntimos - ou obscuros - de homens e mulheres, o cinema de Cronenberg trata de personagens que realizam experiências radicais com seus corpos e isso os transforma em aberrações aos olhos de seus semelhantes. O título da retrospectiva é perfeito - Cinema em Carne Viva. Como de Alfred Hitchcock, se poderia dizer de Cronenberg que Freud e ele nasceram um para o outro. / LUIZ CARLOS MERTEN

O CINEMA EM CARNE VIVA: DAVID CRONENBERG

Quando: De 21 a 29/9. Onde: CCBB. Rua Álvares Penteado, 112, tel. 3113-3651. Quanto: R$ 4.

A VOLTA DO PREFERIDO

Depois de seus concertos com a Osesp no ano passado, o maestro Kristian Järvi (foto) chegou a ser cotado para o posto de regente titular, para o qual era candidato favorito do público e da orquestra. Dizem que chegou a ser convidado - mas as partes não teriam chegado a um acordo. Se é verdade, não se sabe ao certo. Garantido, porém, é seu retorno ao pódio da Sala São Paulo como convidado, a partir de quinta, em apresentações com obras de Bernstein, Prokofiev e Rachmaninoff e a pianista Yuja Wang como solista. / JOÃO LUIZ SAMPAIO

OSESP

Quando: Quinta e sexta, 21 h; sábado, 16h30.

Onde: Sala São Paulo. Praça Julio Prestes, 16, tel. 3223-3966. Quanto: R$ 40/ R$ 135.

CALIFORNICATION

Neodinossauro do rock, o Red Hot Chili Peppers volta a SP quase 10 anos após último show aqui, no Pacaembu, para 50 mil. O ex-rock Peter Pan teve de passar pela clínica de estética para retomar o fio evolutivo, mas tem crédito. / JOTABÊ MEDEIROS

RED HOT CHILI PEPPERS

Quando: Quarta, às 21 h. Onde: Arena Anhembi. Av. Olavo Fontoura, 1.209, telefone 2224-0400. Quanto: R$ 200/ R$ 500.

PAPO COM TORERO

José Roberto Torero é um escritor que gosta do contato direto com o leitor - mesmo que se transforme num confronto o que, felizmente, raramente acontece. "Esses encontros são bem divertidos, pois, eu como autor, tenho pouca oportunidade de estar com o público. Não é a mesma coisa que ser um ator ou um diretor de cinema", diz ele, que vai participar, na quarta-feira, do projeto Cabeça de Escritor, no Sesc Pompeia. Perguntas serão bem-vindas. / UBIRATAN BRASIL

CABEÇA DE ESCRITOR

Quando: Quarta, às 20 h. Onde: Sesc Pompeia. Biblioteca. Rua Clélia, 93, telefone 3871-7700. Quanto: Grátis.

QUESTÕES DA FÉ

O Balé de Leipzig, companhia de dança alemã, é o destaque da semana do Teatro Municipal. Em três dias de apresentações, os 38 bailarinos exibirão A Grande Missa, coreografia de Uwe Scholz (1958-2004). / ELIANA SILVA DE SOUZA

BALÉ DE LEIPZIG

Quando: Quarta e sexta, às 21 h; sábado, às 20 h. Onde: Teatro Municipal. Praça Ramos de Azevedo, s/nº, tel. 3397-0327. Quanto: R$ 15a R$ 70.

A LIBERDADE DE LECI

Apresentando o recém-lançado O Canto Livre de Leci Brandão, em que relembra temas compostos e gravados por ela entre 1976 e 1981, a sambista dá uma aula de interpretação em Zé do Caroço, Deixa, Deixa, Assumindo, entre outros. / LUCAS NOBILE

LECI BRANDÃO

Quando: Sábado, às 21 h, e domingo (25), às 19 h. Onde: Teatro Fecap (Avenida Liberdade, 532, tel. 4003-1212). Quanto: R$ 40 (R$ 20, meia-entrada).

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