Seleção da semana*

NÃO SE PODE VIVER SEM AMOR

, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2011 | 00h00

Direção: Jorge Duran. Elenco: Cauã Reymond, Simone Spoladore, Ângelo Antônio, Fabiula Nascimento. Estreia prevista para sexta-feira.

MISTÉRIOS DE JORGE DURÁN

Ao contrário do argentino Hector Babenco, que se naturalizou brasileiro, Jorge Duran mantém suas conexões chilenas por mais que ame o Brasil e seu cinema. Desde 1973 radicado no País, ele permanece meio dividido entre duas línguas, duas culturas. Duran fala um portunhol carregado. Roteirista, inclusive de Babenco (Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia e Pixote, a Lei do Mais Fraco), virou diretor, inicialmente bissexto. Depois de A Cor de Seu Destino, de 1986, demorou 20 anos para fazer É Proibido Proibir. Comparativamente, o novo longa foi feito quase na sequência.

Não se Pode Viver Sem Amor é de 2010. A gênese não foi fácil. O roteiro original passava-se em São Paulo, na região do centro. Terminou transposto para o Rio. Isso permitiu não apenas diminuir custos, sem as despesas de manutenção de uma equipe em outra cidade, como permitiu que o próprio Duran trabalhasse perto de casa. É um filme sobre relações. Mulher e garoto chegam ao Rio em busca do pai do menino. Há um mistério sobre a identidade da mãe. Outros personagens são o pai, um advogado, e um jovem que, por amor a uma prostituta, pega em armas para fazer dinheiro rapidamente.

Não se Pode Viver sem Amor é forte, intenso e tem um elenco de feras (Ângelo Antônio, Simone Spoladore, Cauã Reymond, Fabiula Nascimento, Maria Ribeiro, Victor Navega Motta). É muito rica a forma como Duran integra a paisagem à trama, transformando seu filme "paulista" numa experiência tão solidamente ancorada no Rio. Mas Não se Pode Viver sem Amor encerra desafios e o maior deles está na sua abertura para o fantástico, com direito a uma morte e posterior ressurreição. O dinamarquês Carl Theodor Dreyer (A Palavra) e o mexicano Carlos Reygadas (Luz Silenciosa) já percorreram esse território. Duran pode aspirar a que seu filme seja um dos melhores do cinema brasileiro deste ano. / LUIZ CARLOS MERTEN

DEBRET

Quando: De 4/5 a 19/6; 3.ª a sáb., 9h/21h; dom., 10h/21h. Onde: Caixa Cultural. Av. Paulista, 2.083, Conjunto Nacional, tel. 3321-4400. Quanto: Grátis.

UMA VIAGEM AO SUL

O francês Jean-Baptiste Debret (1768-1848) foi um dos principais artistas da chamada Missão Artística Francesa promovida no século 19 no Brasil a convite de d. João VI. O pintor passou 15 anos no País e a mostra que a Caixa Cultural abre na quarta-feira para o público na Avenida Paulista tem como destaque desenhos e aquarelas que Debret realizou a partir de uma viagem ao Sul do Brasil, em 1827. As obras da exposição, com curadoria de Anna Paola Baptista, pertencem aos Museus Castro Maya do Rio. / CAMILA MOLINA

JAMIE LIDELL

Quando: Quinta-feira. Onde: Clash Club,

Rua Barra Funda, 969, Santa Cecília,

telefone 3661-1500. Quanto: R$ 90.

A COR DA ALMA

O maior soul man branco em atividade produz e compõe com talento digno da tradição Motown. Quem não conhece, basta ouvir seu maior hit, Multiply, que certamente empolgará o Clash Club nesta quinta-feira. / ROBERTO NASCIMENTO

SEMPRE UM PAPO

Quando: Quinta-feira, às 20 h. Onde: Sesc

Vila Mariana. Auditório. Rua Pelotas 141,

telefone 5080-3000. Quanto: Grátis.

CONY POR INTEIRO

Carlos Heitor Cony reuniu diversas experiências em 85 anos de vida no livro Eu, aos Pedaços (Editora LeYa). Mas o escritor, imortal da Academia Brasileira de Letras, também é bom prosador, como vai comprovar em mais uma edição do projeto Sempre um Papo, que acontece na quinta-feira, às 20 h, no Sesc Vila Mariana, com mediação de Afonso Borges. Cony classifica o livro como "uma forma de cometer biografia", pois narra fatos, descreve pessoas e compartilha os pensamentos que moldaram sua trajetória./ UBIRATAN BRASIL

SÉRIE DE CÂMARA

Quando: Hoje, às 17 horas. Onde: Sala São

Paulo. Praça Júlio Prestes, 16, tel. 3223-3966.

Quanto: De R$ 49 a R$ 56.

TARDE DE ESTREIAS

Duas estreias marcam a abertura, hoje, da temporada de câmara da Osesp: o Concerto de Nailor Azevedo, o Proveta, com solos do trompetista Flávio Gabriel (foto); e a versão para cordas do Quarteto n.º 2, de Janácek, feita por Terje Tonnesen. / JOÃO SAMPAIO

BALÉ DA CIDADE DE SÃO PAULO

Quando: Quinta a sábado, às 21 h; domingo (8), às 18 h. Onde: Sesc Vila Mariana. Rua Pelotas, 141, 5080-3000. Quando: R$ 24.

UM PARAÍSO GREGO

Desde 2008 o Balé da Cidade não estreava a produção de um coreógrafo estrangeiro. O jejum chega ao fim com Paraíso Perdido. Inspirada nas telas de Bosch, a peça é uma criação do grego Andonis Foniadakis para a cia. / MARIA EUGÊNIA DE MENEZES

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