Seleção da semana*

TODA FINEZA DE PAULINHO

, O Estado de S.Paulo

03 Abril 2011 | 00h00

Seria bom avisar aos historiadores de plantão que o refinamento do samba não foi enterrado em 1936, quando o grã-fino Mario Reis decidiu abandonar os palcos e os microfones das rádios, no auge de seu sucesso, aos 28 anos, como um dos maiores cantores do Brasil na Era do Rádio, ao lado de Francisco Alves. A elegância na maneira de cantar - no caso dele, aliada ao despojamento e ao coloquialismo - também não se despediu do gênero mais popular do País com a morte de Mario Reis, apelidado de Bacharel do Samba, na suíte 140 do Hotel Copacabana Palace, em 1981.

Nesse sentido, o Brasil ainda é muito bem servido graças a Paulinho da Viola, hoje, o único capaz de vestir o samba com tamanha fineza, dialogando com naturalidade com os salões mais nobres e com a simplicidade dos morros.

Nascido em Botafogo, o vascaíno e portelense Paulinho tem vindo com mais frequência a São Paulo. Recentemente esteve no lançamento do livro em homenagem à sua obra, Ensaiando a Canção: Paulinho da Viola e Outros Escritos, de Eliete Eça Negreiros. Nesta quarta, ele se apresenta no Sesc de Santos e, de quinta a domingo, no teatro da unidade da Pompeia.

Depois de longa temporada com seu disco acústico, no qual era acompanhado por uma banda enorme, incluindo coro e cordas, Paulinho retoma o show que fizera em 2010, em formato intimista.

Escorado por seu habitual e competentíssimo instrumental, com nomes como Cristóvão Bastos (piano), Mário Sève (sopros) e Celsinho Silva (pandeiro), Paulinho contará passagens de sua carreira e cantará Vela no Breu, O Tímido e a Manequim, Cidade Submersa e Brancas Pretas, além de relembrar sucessos de sua discografia, como Quando Bate Uma Saudade, Chega de Padecer e Peregrino. É mais uma oportunidade de reverenciar o maior sambista vivo no País. / LUCAS NOBILE

GRAUS DE PERCEPÇÃO

A mostra Perceptum Mutantis, no Museu da Imagem e do Som (MIS), exibe obras com formas diferentes de interação, do ramo da arte e tecnologia, realizadas pelos brasileiros Katia Maciel e André Parente e por criadores argentinos. / CAMILA MOLINA

DORES DE MEIA-IDADE

A excelente banda de rock independente The National aperfeiçoa a cada novo disco sua capacidade para canções melancólico e profundas. O último álbum, High Violet, é uma expedição sombria pelas dores e culpas da meia-idade do vocalista Tom Berninger, cujo barítono lidera a banda em sua segunda vinda ao País. Fake Empire, Lemonworld e Sorrow estão entre as aguardadas. / ROBERTO NASCIMENTO

MÚSICA E SUSPENSE

Em início de temporada, o musical infantil O Fantasma da Máscara é uma adaptação do famoso espetáculo da Broadway, O Fantasma da Ópera. No elenco está a atriz Lissah Martins. E quem assina a direção é Rosi Campos. / ELIANA SILVA DE SOUZA

PARA ARREBENTAR

Impulsionada pelo sucesso de A Era do Gelo 3, que fez mais de 9 milhões de espectadores no País, a distribuidora Fox radicaliza e lança a nova animação de Carlos Saldanha em nada menos de 1.000 (mil!) salas brasileiras. Chama-se Rio e é sobre macho de arara-azul que não sabe voar. Criada nos EUA, a ave trazida ao Brasil para fecundar a última fêmea de sua espécie. A tecnologia de ponta recria até o desfile das escolas na Sapucaí. Simultaneamente, está sendo lançado o game Angry Birds in Rio. / LUIZ CARLOS MERTEN

É TUDO VERDADE

Vocacional, Uma Experiência Humana é o belo filme de Toni Venturi sobre as escolas vocacionais, criadas nos anos 60 e focadas no aluno como ser consciente da sua realidade. A experiência pedagógica foi liquidada pela ditadura. / LUIZ ZANIN ORICCHIO

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