Seleção da semana

O Oscar estrangeiro

, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2011 | 00h00

Em Um Mundo Melhor, de Susanne Bier, foi o vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro. Era mesmo favorito, e derrotou pesos pesados, entre eles Biutiful, de Alejandro González-Iñárritu. Para compreendermos a força de Em Um Mundo Melhor devemos lembrar que se trata de uma síntese da sofisticação de filme de tese e certo didatismo típico do cinema comercial. O que se vê na tela são duas ações em paralelo. Numa, o foco é sobre o médico Anton, que passa longos períodos na África em trabalho humanitário. Na outra, vemos o seu filho, Elia, na Dinamarca, enfrentando problemas na escola, pois sofre nas mãos de colegas mais fortes. Por outro lado, a mulher de Anton, farta dos longos períodos de separação, está pedindo divórcio. Na escola, Elia conhece um colega bem mais disposto do que ele, Christian, que acaba de perder a mãe, e não hesita em resolver as coisas por meio da ação.

Na África, temos a esfera social, com tiranos e tiranetes oprimindo a população. Na Dinamarca, são casos de bullying, na microssociedade da escola. Há um contraponto aqui entre os casos coletivos e individuais e entre sociedades tidas como primitivas e outras consideradas evoluídas. Bier tentará, pela sua história, problematizar essas noções.

Os limites de Em Um Mundo Melhor são aqueles que em geral aparecem em filmes de tese. Percebe-se que algumas ideias, colocadas umas contra as outras, precedem a construção dramática da obra. Daí algumas passagens soarem artificiais. Mas esses impasses não atingem a discussão central proposta por Suzanne: há casos em que a violência só pode ser combatida pela violência? Em outras palavras, existe um uso legítimo da violência, ou ela é sempre má? A boa notícia é que a diretora tenta ir além de um pacifismo ingênuo e procura dar conta das complexidades do tema. Mesmo os conduzindo a impasses, o que é sempre melhor do que terminar por soluções fáceis. E simplistas. / LUIZ ZANIN ORICCHIO

EM UM MUNDO MELHOR

Direção: Susanne Bier. Gênero: Drama (Dinamarca/Suécia,2010, 119 min.). Elenco: Mikael Persbrandt, Trine Dyrholm. Estreia na sexta-feira.

O carnaval do tapa

O repertório de verão do grupo Tapa - em cartaz desde janeiro no Viga Espaço Cênico -, ganha reforço em pleno carnaval. Na segunda, o diretor Eduardo Tolentino estreia o espetáculo, Credores. Uma das obras máximas de August Strindberg, o texto que só havia encenado uma única vez no País, merece agora uma nova montagem. Na versão, Chris Couto interpreta Tekla, uma mulher dominadora, casada com um homem mais jovem, que tem que acertar suas contas com o passado. / MARIA EUGÊNIA DE MENEZES

CREDORES

Quando: Estreia dia 7/3. 2ª, 21 h; 3ª, 18 h; de 4ª a 6ª, 21 h. Onde: Viga Espaço Cênico. Rua Capote Valente, 1.323. Quanto: R$ 40.

Fino instrumental

Com uma discografia de respeito, o sexteto paulistano Hurtmold mostra algumas de suas joias instrumentais que devem fazer parte de seu próximo álbum, com previsão de lançamento ainda para este ano. / LUCAS NOBILE

HURTMOLD

Quando: Quinta (10), às 23 h. Onde: Studio SP. Rua Augusta, 591, telefone 3129-7040. Quanto: R$ 25 e R$ 15 (nome na lista).

Livro e exposição

O pintor Marco Giannotti lança no sábado, às 11 h, livro sobre sua obra, editado pela Dardo e com textos de David Barro e Ronaldo Brito, no Gabinete de Arte Raquel Arnaud. O lançamento é acompanhado da mostra Quadrantes, com pinturas do artista. O evento marca o fim das atividades na Rua Artur de Azevedo da agora chamada Galeria Raquel Arnaud, que inaugura este mês seu espaço na Rua Fidalga. CAMILA MOLINA

MARCO GIANNOTTI

Quando: 12/3, às 11 h. Onde: Gabinete de Arte Raquel Arnaud. Rua Artur de Azevedo, 401, tel. 3083-6322. Quanto: R$ 40 (Dardo, 112 páginas).

Rede de criações

Dez artistas latino-americanos se mobilizam e criam a mostra Projeto Ideal, que, depois de exibida no Chile, chega a São Paulo. Entre os participantes, Albano Afonso, Sandra Cinto (foto), Regina Galindo, Carlos Garaicoa e José Rufino. / C.M.

PROJETO IDEAL

Quando: de 12/3 a 26/6. Onde: Centro Cultural São Paulo. Rua Vergueiro, 1.000, Paraíso, tel. 3397-4002. Quanto: Grátis.

Sons da Hungria

A série Seus Povos e Suas Músicas, que marca a reinauguração da Biblioteca Mário de Andrade (foto), abriga no sábado uma homenagem à cultura húngara, com os músicos Gedeon Piller, Manuela Freua e Dana Radu, entre outros. / JOÃO SAMPAIO

SÃO PAULO: SEUS POVOS E SUAS MÚSICAS

Quando: Dia 12/3, às 16 h. Onde: Biblioteca Mário de Andrade. Rua da Consolação, 94, tel. 3256-5270. Quanto: Grátis.

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