Seleção da Semana

A SUPREMA FELICIDADE

, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2010 | 00h00

Direção: Arnaldo Jabor. Gênero: Drama (Brasil/ 2010, 127 minutos). Elenco: Jayme Matarazzo, Marco Nanini. Estreia prometida para sexta.

MEMÓRIA IDEALIZADA

É muito improvável, quase impossível, que A Suprema Felicidade venha a se constituir num megassucesso como Tropa de Elite 2, filme que, batendo nos 5 milhões de espectadores e sem perder a força nas bilheterias, ameaça virar o fenômeno de público da Retomada. Os dois filmes, o de Arnaldo Jabor e o de José Padilha, estavam apontados para estrear na mesma data, 8 de outubro. Jabor recuou e atirou seu filme para mais adiante, para não trombar com o Coronel Nascimento.

Independentemente do sucesso de público, A Suprema Felicidade é um belíssimo filme. Você poderá confirmá-lo a partir da próxima sexta. Desde que inaugurou o Festival do Rio, Felicidade tem sido criticado e elogiado. Não é uma unanimidade - toda unanimidade é burra, dizia Nelson Rodrigues. Jabor, ao interromper sua carreira há quase 20 anos, virou um cineasta de palavras. O fato de se haver transformado num ácido crítico do governo Lula talvez predisponha setores da crítica e do público a virar-lhe as costas, neste novo recomeço.

Não devem fazê-lo. Seria privar-se de desfrutar das emoções de um filme que, não sendo necessariamente autobiográfico, é pessoal e geracional. Jabor conta a história de uma família, projeta-se neste garoto que não sabe direito o que quer e termina tomando uma lição de vida com o avô. A Suprema Felicidade tem personagens femininas deslumbrantes - a mãe, a Marilyn Monroe de araque, a prostituta assassinada no Mangue etc.

Tudo isso é verdade, mas a chave do filme é a relação do garoto com o avô. Há uma beleza particular nas cenas de Jayme Monjardim e Marco Nanini, culminando na dança - uma reverência - que é já é um dos grandes momentos do cinema brasileiro. Jabor, como Fellini, pode dizer "Eu me lembro". Seu filme não é Amarcord, mas quase. Uma memória idealizada. O passado como ele gostaria de se lembrar. Deslumbrante. / LUIZ CARLOS MERTEN

LUÍSA MAITA

Quando: Quinta, 19h30. Onde: Sesc Consolação. Espaço de Convivência. Rua Dr. Vila Nova, 245. Vila Buarque, tel. 3234-3000. Quanto: Grátis.

MÁXIMO COM MÍNIMO

A bela voz de Luisa Maita a gente já apreciava de sua participação no excelente álbum de estreia de Rodrigo Campos, São Mateus Não É Um Lugar Assim Tão Longe. Custou, mas ela conseguiu lançar o primeiro disco próprio no Brasil, Lero-Lero. Na quinta, a cantora e compositora mostra o repertório autoral do CD no Sesc Consolação. Como já disse ao Estado, Luisa procura "atingir o máximo de expressão com o mínimo de afetação", viajando dentro da tradição musical brasileira com personalidade própria. / LAURO LISBOA GARCIA

CRIANDO IMAGENS PARA CINEMA

Quando: Até 28/11. Onde: Instituto Tomie Ohtake. Avenida Brigadeiro Faria Lima, 201,

tel. 2245-1900. Quanto: Grátis.

CORES DE KUROSAWA

Os desenhos que o cineasta japonês Akira Kurosawa (1910-1998) fez em 80 storyboards para filmes como Kagemusha (1980), Ran (1985) e Sonhos (1990) estão reunidos em exposição feita em parceria com a 34.ª Mostra de Cinema. /CAMILA MOLINA

ANTONIO MENESES

Quando: Quarta, 19 h. Onde: Livraria Cultura. Avenida Paulista, 2.073, telefone 3170-4033. Quanto: R$ 70 (valor do livro/ 224 páginas).

O SR. VIOLONCELO

O violoncelista Antonio Meneses faz concerto com a Osesp a partir de quinta-feira, na Sala São Paulo. Imperdível, claro. Mas na quarta, ele estará na Livraria Cultura para autografar o livro Arquitetura da Emoção, escrito pelos jornalistas Luciana Medeiros e João Luiz Sampaio, do Caderno 2. Na obra, o músico pernambucano fala sobre questões que o mobilizam, como a relação entre técnica e inspiração. / ELIANA SILVA DE SOUZA

O PORCO SENTADO

Quando: Terças e quartas, 21 h - de 26/10 a 10/11. Onde: Sesc Pompeia. Rua Clélia, 93,

telefone 3871-7700. Quanto: R$ 12.

BACON EM MOVIMENTO

Melhor espetáculo de dança do Festival Cultura Inglesa deste ano, Um Porco Sentado, inspirado nas ideias de Francis Bacon, entra em cartaz no Sesc Pompeia . Lucia Romano e Roberto Alencar assinam a direção. / MARIA EUGÊNIA DE MENEZES

CIRCO DE PULGAS

Quando: Sábados e domingos, 17h30. Onde: Sala B do Teatro Alfa. Rua Bento B. de Andrade Filho, 722, tel. 5693-4000. Quanto: R$ 24. Até 28/11

PARA RIR SEM PARAR

Sabe uma peça em que adultos e crianças se divertem juntos, sem trégua nem descanso, num contagiante momento mágico de eficiência e potência teatral? Pois assim é Circo de Pulgas, com a Cia. Circo de Bonecos. Não perca. / DIB CARNEIRO NETO

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