Seleção da Semana

O SOL DO MEIO DIA

, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2010 | 00h00

Direção de Eliane Caffé, com Chico Diaz, Luiz Carlos Vasconcelos e Cláudia Assunção.

Estreia prometida para sexta-feira nos cinemas

À FLOR DA PELE

Eliane Caffé sempre foi boa diretora. Mas talvez faltasse a seus filmes anteriores - Kenoma e Narradores de Javé - a intensidade que se encontra neste O Sol do Meio Dia. Encontrou o tom. Ou pelo menos, um tom. O seu, talvez. O desenho dos personagens é mais nítido, a fotografia trabalha a serviço da narrativa, tudo, enfim, faz sentido. Mais importante: sente-se a tensão, os desejos, as frustrações e alegrias inscritos na pele mesma dos atores, em seus rostos. É o encontro da diretora com um cinema corpóreo, mais físico e sensorial.

O filme, primeiro, é o encontro entre dois homens de personalidades opostas. Artur (Luiz Carlos Vasconcelos) é visto na saída de uma prisão - não se conhece seu crime. Matuim (Chico Diaz) é um encrenqueiro, tipo burlesco, que usa uma estranha peruca. Artur quer se embrenhar no Brasil, talvez para esquecer o que lhe vai pela consciência. Matuim, com a morte do pai, vê-se dono de uma decadente embarcação na qual viaja pela Amazônia. Os dois se unem pelo acaso. Como é pelo acaso que conhecem uma mulher, Ciara (Claudia Assunção), que dá novo impulso (e rumo) à narrativa.

Boa parte do filme é consumida na viagem através da Amazônia. Há o calor, a precariedade, os conflitos pessoais e o encontro com contrabandistas para complicar as coisas. Matuim dá à ação tom humorístico e ao mesmo tempo dramático, dualidade que só um grande ator como Chico Diaz é capaz de sustentar. De Vasconcelos vem a profundidade trágica quando se revelam os motivos da sua prisão. Vem de Ciara o toque maior de solidariedade, um gesto final que empresta humanidade à história. Não se sabe como será recebido num país de mentalidade tão punitiva quanto o Brasil atual. Mas nenhum filme tem obrigação de partilhar ou endossar a moral média. É possível até que tenha de afrontar a mentalidade dominante para vir a ser grande. / LUIZ ZANIN ORICCHIO

TANTINHO DA MANGUEIRA

Quando: Sábado (2/10), 21h30.

Onde: Sesc Pompeia, Rua Clélia, 93, tel. 3871-7700. Quanto: R$ 4 a R$ 16.

A PUREZA DO SAMBA

Rio de Janeiro e São Paulo voltam a se abraçar graças ao DNA mais autêntico do samba. Agraciado neste ano nas categorias melhor disco e cantor de samba do Prêmio da Música Brasileira, Tantinho da Mangueira recebe o genial e jocoso Germano Mathias em apresentação única. No show, o sambista carioca cantará temas da obra do também mangueirense Padeirinho. Com direção do competente Paulão Sete Cordas, é de se lamentar que a cidade de São Paulo receba o espetáculo apenas por um dia. / LUCAS NOBILE

CHICAGO E AMERICA

Quando: hoje, 19h30. Onde: Ginásio do Ibirapuera. R. Manoel da Nóbrega. 1.361. 4003- 1212.

Quanto: R$ 160/R$ 490.

CHICAGO, AMERICA

Hoje, dois gigantes no Ginásio do Ibirapuera: Chicago (americanos que só perdem para os Beach Boys em hits radiofônicos) e America (dupla inglesa com mais de 20 álbuns). Pop que embala gerações há 40 anos. / JOTABÊ MEDEIROS

POETA BOA PROSA

Quando: quarta-feira, dia 29, às 19h30. Onde: Sesc Consolação Rua Dr. Vila Nova, 245, Tel: 3234-3000). Quanto: Grátis

POESIA FALADA

O projeto Poeta Boa Prosa busca unir literatura com reminiscências. Um belo cardápio quando o convidado vem bem equipado. É o caso de Alice Ruiz que, na quarta-feira, tanto poderá falar sobre seu processo criativo, que inclui prosa, poesia e canções (um total de 19 livros e mais de 50 músicas), como sua convivência com Paulo Leminski (1944-1989), inesquecível poeta e tradutor, seu companheiro por mais de 20 anos. UBIRATAN BRASIL

CLOUD GATE DANCE THEATRE

Quando: 2 a 5/10. Sáb., seg. e ter., 21h, e dom., 18h. Onde: Teatro Alfa. R. Bento Branco de A. Filho, 722, tel. 5693-4000. Quanto: R$ 50 a R$ 120.

AS FLORES DE TAIWAN

A Cloud Gate Dance Theatre, de Taiwan, está de volta a São Paulo. Saudada pela crítica internacional, a companhia traz a coreografia Whisper of Flowers, baseada no texto O Jardim das Cerejeiras, de Anton Chekhov. / MARIA EUGÊNIA DE MENEZES

QUEM TEM MEDO DE CURUPIRA?

Quando: Sábados e domingos às 16 h. Onde: Teatro Popular do Sesi. Av. Paulista, 1.313, tel. 3146-7405. Quanto: Grátis. Até 12/12

BALEIRO NO TEATRO

Zeca Baleiro, esse mesmo que você conhece da MPB, escreveu uma peça de teatro para jovens e crianças, Quem Tem Medo do Curupira?, com momentos hilariantes, estética dark e uma trilha bem competente, claro. / DIB CARNEIRO NETO

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