Seleção da semana

DUMONT E O DOGMA DA FÉ

, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2010 | 00h00

Um dos mais originais e exigentes autores do cinema francês - e mundial - na atualidade, Bruno Dumont tem sido comparado a Robert Bresson, embora existam diferenças consideráveis entre os estilos de ambos. O que eles compartilham é a busca da transcendência, uma certa ideia da graça - divina - num mundo que a rejeita, embora só ela possa redimir o humano do seu sofrimento. O novo Dumont está sendo prometido para a próxima sexta-feira. Chama-se O Pecado de Hadewijch e se inspira na experiência de uma mística francesa que viveu há centenas de anos.

Julie Sokolovski, uma estudante de filosofia, sem nenhuma experiência prévia na arte da representação, faz a noviça em crise vocacional, que, no começo, é induzida pela madre superiora a abandonar a ordem para ingressar no mundo. Só depois de conhecer as tentações mundanas, acredita a religiosa, a garota estará habilitada a se decidir sobre sua verdadeira vocação.

É um filme que discute a fé. Onde ela está e o que é, no mundo contemporâneo? Julie se envolve com um grupo de islâmicos. Discute o Corão como a Bíblia, Maomé como Cristo, e é cooptada a participar de uma ação terrorista. Bruno Dumont vai surpreender, outra vez, com uma narrativa seca e dura, de um realismo muitas vezes exasperante. Quem espera dele uma condenação pura e simples da Jihad poderá ficar até revoltado. Dumont não condena nenhum de seus personagens. Como ele mesmo diz, é mais importante entendê-los - e deixá-los viver diante de sua câmera.

Há exatamente um ano, O Pecado de Hadewijch ganhou o prêmio da Fipresci, a Federação Internacional da Imprensa Cinematográfica, no Festival de Toronto. É o chamado programa de arte, o que significa que não se destina a todos os públicos. Os que atenderem ao chamado, vão concordar. É um dos grandes filmes do ano. / LUIZ CARLOS MERTEN

PARA TODAS AS IDADES

Como bem dizem Carla Camurati e Carla Esmeralda, criadoras do Festival Internacional de Cinema Infantil, esta é uma festa do cinema para crianças de todas as idades. Mais do que isso, é para crianças de todos os gostos. Do holandês Iep! (foto), que conta a história de Dôrinha, uma menina que, em vez de braços, tem asas, ao brasileiro Eu e Meu Guarda-Chuva, o imperdível Fici enche os olhos e os corações do espectador ávido por descobrir o que de melhor os cineastas têm produzido para o exigente público mirim. / FLAVIA GUERRA

TRAJETOS DA MEMÓRIA

O tema da memória e do poder é o mote da coletiva Crossing (Travessias), que o Paço das Artes inaugura hoje. Na mostra, obras de artistas nacionais e estrangeiros, entre eles, a cubana Ana Mendieta e o mexicano Yoshua Okón (foto). / CAMILA MOLINA

CRISE DE IDENTIDADE

Já consagrada como um dos grandes nomes da nova geração da literatura nacional, Carola Saavedra é o destaque da próxima edição do programa Sempre um Papo, que acontece na quarta-feira, no Sesc Vila Mariana. Ela vai falar sobre sua obra, especialmente do mais recente livro, Paisagem com Dromedário (Companhia das Letras), que trata de inquietações contemporâneas como a crise de identidade. / UBIRATAN BRASIL

INICIAÇÃO AO CIÚME

Está de volta mais um sucesso da temporada do ano passado, Othelito, em que o diretor e adaptador Ângelo Brandini transforma a conhecida história de ciúme escrita por Shakespeare em deliciosa peça infantil. Confira. / DIB CARNEIRO NETO

A DANÇA DO COSMO

Pela primeira vez no Brasil, a companhia de dança japonesa Sankai Juku faz três apresentações, a partir de terça, no Teatro Alfa. Dirigido pelo aclamado coreógrafo Ushio Amagatsu, o grupo traz o espetáculo Tobari. / MARIA EUGÊNIA DE MENEZES

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