Seleção da semana

Batuta do samba jazz

, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2010 | 00h00

O lendário pianista Dom Salvador, que integrou o mítico Rio 65 Trio e é autoexilado em Nova York desde os anos 1960, toca na Sala do Professor Buchanan"s. É rara uma apresentação de Salvador por aqui - em 2003, quando tocou no Chivas Festival, ele lembrou da última vez que tinha tocado no Brasil. "Foi acompanhando Nara Leão, no Teatro da Praia, em 1973." Ou seja; havia 30 anos que não tocava em sua terra natal.

Paulista de Rio Claro, 71 anos, Salvador foi para o Beco das Garrafas, no Rio, a convite de Flora Purim e Dom Um Romão. Sideman de uma galáxia da MPB. Em 1964, gravou o primeiro disco de Elis Regina em sua fase da bossa nova, e em 1965 formou o Rio 65, com Edison Machado (bateria) e Sérgio Barrozo (baixo). O grupo é considerado um dos pilares do samba-jazz, e teve mais duas gravações nos anos seguintes: em 1966 pela Mocambo, e em 1969 pela CBS.

Qualquer linha do currículo de Salvador é impressionante: tocou nos últimos discos de Mário Reis e Pixinguinha e Elis Regina foi sua madrinha de casamento (o padrinho foi Jair Rodrigues). Com Tom Jobim, participou da primeira gravação de Retrato em Branco e Preto.

Nascido Salvador da Silva Filho em 12 de setembro de 1938, era pianista contratado da Odeon nos anos 60 e foi levado a Nova York como músico de estúdio. Levou sete anos para conseguir o visto de trabalho. Tocou com meio mundo. "Desde Art Tatum a Ahmad Jamal, passando por Hank Jones e Tommy Flanagan, de quem me tornei grande amigo. Ele sempre ia me ver no River Café, casa de shows na Ponte do Brooklyn onde eu tocava", conta. A aula-show de Dom Salvador nessa terça, no Bourbon Street, com o Dom Salvador Trio (formado por Rodrigo Ursaia, saxofonista; Maurício Zottarelli, baterista; e Itaiguara, baixista) é ocasião única para reverenciar a matriz. / JOTABÊ MEDEIROS

OTTO, SEM NOVELA

Para se adaptar aos padrões globais, Otto teve de trocar duas letras de uma palavra de Crua, pra entrar na trilha sonora da novela Passione. É só prestar atenção na canção para perceber que a personagem não "fugia", mas fazia outra coisa. Sem censura e num dos melhores momentos da carreira, o cantor e compositor pernambucano vê sua popularidade crescer. Sexta-feira ele volta a interpretar as canções de seu sensacional álbum Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos. Vai, que é de "fugir". / LAURO LISBOA GARCIA

OBRA EM REVISÃO

Gravador e pintor, o consagrado Evandro Carlos Jardim exibiu no Masp, em 1973, a série A Noite, No Quarto de Cima, O Cruzeiro do Sul. Agora, em mostra no museu, o artista revisita essa obra e ainda exibe trabalhos inéditos. / CAMILA MOLINA

O BRUXO EM DEBATE

Machado de Assis será tema de discussão do escritor e cronista do Estado, Milton Hatoum, e da professora de literatura comparada do Mackenzie, Ana Lúcia Trevisan Pelegrino. O encontro, que ocorre na terça-feira, no Sesc Carmo, vai partir da biografia do Bruxo do Cosme Velho para discutir o valor de sua obra. UBIRATAN BRASIL

ADORÁVEL ARLEQUIM

A Banda Mirim está de volta com sua alegria contagiante e o talento para aliar teatro e música. Na peça Espoleta, de Marcelo Romagnoli, um típico arlequim apronta todas no palco e consegue cativar público de todas as idades. / DIB CARNEIRO NETO

GAROTO TRAQUINA

O Pequeno Nicolau é o tipo de filme que vai agradar à família inteira. Trata das aventuras de um garotinho que faz de tudo para chamar a atenção dos pais, pois teme perder seu lugar para o irmãozinho que logo chegará. / ELIANA SILVA DE SOUZA

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