Seleção da Semana

TUDO PODE DAR CERTO

, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2010 | 00h00

Nome original: Whatever Works. Direção: Woody Allen. Gênero: Comédia (EUA-França, 92 min.)

O MECANISMO DO MUNDO

Os detratores vão dizer que é mais do mesmo. Os fãs respondem: e daí? Se o mesmo é bom, por que não mais um pouquinho dele? E eis aí o novo Woody Allen, Tudo Pode Dar Certo, que pode até não ser tão novo assim, mas é bom demais.

As dúvidas e as poucas certezas de Allen estão presentes nesse filme com estreia prometida para sexta. Dúvida quanto ao sentido da vida, a alienação contemporânea, os problemas com o envelhecimento, o mistério das mulheres... e a (pouca) fé de que, se alguma coisa chega a valer a pena, ela tem de ser buscada arduamente. Seja pela arte, seja pelo saber, seja pela amizade ou o sexo. Para Allen, a felicidade possível nunca vem de graça. Felicidade é trabalho. Não é um bem natural.

É assim para o angustiado Boris (Larry David), intelectual, meia-idade já passada, que vive a destilar sua descrença para amigos em mesa de bar. Onde estamos? Em Manhattan, epicentro da "poética" de Allen, do qual ele tem se distanciado cada vez mais, por razões práticas - facilidades de financiamento. Agora ele está de volta. E Boris é mais um dos seus alter egos. Todo grande artista tem um. Às vezes mais de um, como Fernando Pessoa.

Em todo caso, Boris tem a função de discutir ideias que atormentam o diretor e também, talvez, a de realizar algumas de suas fantasias, em especial em relação a mulheres jovens. Haverá disso na vida de Boris e as soluções encontradas para a trama não deixarão de ser, pelo menos, muito criativas.

Allen é Allen e isso quer dizer que rediscute suas questões desde sempre, no plano do estrito realismo. Usa o bisturi para desvendar o mecanismo do mundo, mas o faz sob ângulos diferentes a cada vez. Um tom mais luminoso no caso de Vicky Cristina Barcelona; mais soturno, no de O Sonho de Cassandra, mais agudo, no excepcional Match Point. Em Tudo Pode Dar Certo, a luz se mantém acesa. Alguém pode até dizer que é um filme otimista. Um otimismo do possível, se é que isso existe. / LUIZ ZANIN ORICCHIO

NOUVELLE VAGUE

Quando: dia 29, quinta-feira, 22h30. Onde: Clash Club (800 pessoas), Rua Barra Funda, 969, telefone: 3661-1500. Quanto: 100

BOSSÁ NOVA

Os produtores franceses Marc Collin e Olivier Libaux tiveram uma sacada em 2002: que tal repassar algumas das melhores canções da era new wave pelo coador da bossa nova? Convidaram algumas cantoras ultracool (algumas brasucas) e reinventaram canções de Depeche Mode, Echo and the Bunnymen, Joy Division, Soft Cell. O resultado pegou que nem fogo no mato seco, alcançando todo o mundo. Assim surgiu o Nouvelle Vague, que volta ao Brasil (esteve aqui há 3 anos) para mostrar seu 3.º álbum. Delícia. / JOTABÊ MEDEIROS

SEMPRE UM PAPO

Quando: dia 27, terça-feira, 20 horas. Onde: Sesc Vila Mariana (131 lugares), Rua Pelotas, 141, telefone (11) 5080-3000. Quanto: Grátis

HOMENAGEM A PIVA

Hospitalizado, o poeta Roberto Piva (foto) ainda desperta ações solidárias. Como o debate sobre sua obra que Claudio Willer comanda no Sesc Vila Mariana, na programação do Sempre Um Papo. Ele doou seu cachê para a ação. / UBIRATAN BRASIL

A GRANDE VOLTA

Quando: de 1º/5 a 15/8. Onde: Teatro Faap, Rua Alagoas, 903, telefone 3662-7233. 75min.

506 lugares. 12 anos. Quanto: R$ 70

ESCOLHA DE MESTRE

Paulo Autran era mestre na escolha de seu repertório. Pois ele descobriu A Grande Volta e chegou a traduzi-la. Só isso já tornaria atraente a montagem dirigida por Marco Ricca, com Fulvio Stefanini e Rodrigo Lombardi no elenco. / BETH NÉSPOLI

SP-ARTE

Quando: de 29/4 a 2/5. Onde: Pavilhão da Bienal. Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 3, Parque do Ibirapuera. Quanto: R$ 25

FESTA DAS GALERIAS

A partir de quinta na Bienal, a 6.ª SP-Arte - Feira Internacional de Arte de São Paulo reúne estandes de 80 galerias nacionais e estrangeiras repletos de obras modernas e contemporâneas, como a de Rivane Neuenschwander (foto). / CAMILA MOLINA

CONJUNTO VAZIO

Quando: dia 30, sexta-feira, 21 horas. Onde: Choperia do Sesc Pompeia (800 lugares), Rua Clélia, 93, telefone 11 3871-7700. Quanto: R$ 4 e R$ 16

PRENDA O THADEU

Thadeu Meneghini, depois de sair do Banzé!, inventou o Conjunto Vazio, que define com "uma banda formada por ninguém". No bem-humorado CD de estreia, Prenda o Thadeu, ele fez as programações, toca guitarra e instrumentos bizarros. Lobão, Genival Lacerda (que também está no CD), Tulipa Ruiz, Tatá Aeroplano e a banda Numismata participam do show de lançamento no Sesc Pompeia. / LAURO LISBOA GARCIA

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