Seleção da semana

RITMO JOVEM E BOA HISTÓRIA

, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2010 | 00h00

Na sexta, estreia um filme especial - As Melhores Coisas do Mundo, da diretora Laís Bodanzky. O tema tem se revelado dos mais ingratos para o cinema contemporâneo, os problemas da adolescência, em geral tratados de maneira pouco inteligente. Laís o enfrenta com sensibilidade. Na história, o personagem Mano (Fernando Miguez) enfrenta seu rito de passagem para a idade adulta com não poucos contratempos. Tem um irmão depressivo, pais separados e precisa lidar com um problema de identificação paterna. Como se não bastasse, estuda em um colégio chegado ao autoritarismo, preocupa-se em perder a virgindade e vê um professor tolerante (Caio Blat) ser demitido porque uma aluna o beijou. Não é pouca coisa para um garoto,

Inspirado no livro Mano, de Gilberto Dimenstein e Heloísa Prieto, As Melhores Coisas do Mundo reúne uma série de virtudes para dar conta do recado. Protagonista e o restante do elenco funcionam direitinho, o que significa que foram bem dirigidos. O desafio era mesclar estreantes e iniciantes com gente experiente como Caio Blat, Paulo Vilhena, Denise Fraga e Gustavo Machado, e daí tirar um todo homogêneo. Deu química, como se diz.

O outro desafio era encontrar uma linguagem cinematográfica ágil e descolada, que contasse uma história jovem no ritmo adequado. Nesse ponto, Laís se confirma como a cineasta de boa mão que já conhecíamos desde Bicho de Sete Cabeças. Ela sabe o que faz e seus filmes podem não ser perfeitos, mas respiram aquele ar de coisa viva e pulsante. Ajuda muito a montagem de Daniel Resende, que encontra um ritmo muito agradável. A história não cai nunca.

Tudo isso seria apenas interessante, não fossem as ideias expressas. Existe um claro parti-pris do filme por um mundo mais aberto e com menos preconceitos, no qual a existência possa fluir sem tantos sofrimentos inúteis. O drama (e as alegrias) de Mano são comuns a todos que são ou já foram adolescentes. O que dizem? Simples: conflitos existem, são da vida. Mas, e daí? Podemos ser felizes assim mesmo. / LUIZ ZANIN ORICCHIO

TAMBOR MODERNO

Compositora, cantora e habilidosa em vários instrumentos, Raquel Coutinho mistura tambores ancestrais de Minas com texturas e timbres processados digitalmente. Esta semana ela faz mais um show com o repertório do promissor álbum autoral de estreia, Olho d"Água, em que avança no tempo sobre as influências dos batuques de folia de reis, congada e candomblé. Resultado de três anos de estudos e experimentações, o trabalho é impactante. Principalmente ao vivo, pela garra de Raquel em cena. / LAURO LISBOA GARCIA

PIANO PREMIADO

Por problemas de saúde, o violinista Vadim Repin não vem mais a São Paulo e o pianista húngaro Deszö Ránki foi convocado para abrir a temporada da Sociedade de Cultura Artística. No programa, Haydn, Schumann e Liszt. / JOÃO SAMPAIO

BLOGS LITERÁRIOS

O avanço tecnológico na comunicação permite que a informação viaje cada vez mais rápido. Arte da meditação por excelência, a literatura também consegue uma brecha nessa corrida, desenvolvendo novas formas de chegar a seu público. É justamente a importância dos meios de difusão da escrita em rede o tema de dois debates que ocorrem na Casa das Rosas - o primeiro será hoje e o segundo, dia 25. Os mediadores serão o blogueiro Zeca Bral, do blog Meia Dúzia, e Fabiana Chiotolli, da Biblioteca de São Paulo. / UBIRATAN BRASIL

DEPOIS DA DESOLAÇÃO

A banda glam Placebo retorna ao Brasil no sábado, no Credicard Hall, para lançar aqui seu mais recente disco, Battle for the Sun (PIAS Music), 6.º álbum de estúdio em 13 anos de carreira. Brian Molko, o líder, vale o ingresso. / JOTABÊ MEDEIROS

FLÁVIO DE CARVALHO

Flávio de Carvalho (1899-1973) teve uma produção multidisciplinar e repleta de provocações. É o que se poderá ver na retrospectiva que o MAM inaugura na quinta e ainda em outra mostra, com leituras de artistas sobre criações de Flávio. / CAMILA MOLINA

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