Seleção da Semana

Seleção da Semana

OS FAMOSOS E OS DUENDES DA MORTE

, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2010 | 00h00

Direção: Esmir Filho. Gênero: Drama (Brasil/ 2009, 101 minutos).

GERAÇÃO INTERNET

Depois do Festival do Rio e da Mostra de São Paulo, no ano passado, e dos festivais de Tiradentes e Berlim neste ano, Os Famosos e os Duendes da Morte chega ao circuito para valer. O longa de estreia de Esmir Filho traz para o cinema brasileiro o universo dos jovens que se relacionam pela internet. Esmir já teve o Saliva premiado no Festival de Cannes e estourou na rede com Tapa na Pantera.

O curta interpretado pela atriz Maria Lúcia Vergueiro bateu recordes de acessos e desencadeou um debate - Esmir e seus companheiros de direção, Mariana Bastos e Rafael Gomes, estavam criticando ou fazendo a apologia da maconha? O próprio título refere-se à gíria que tenta expressar em palavras a sensação proporcionada pelo ato de fumar um baseado. O diretor, agora no longa - e em experiência solo -, segue provocando. Os Famosos expõe um romântico sentimento de inadequação ao mundo.

O herói é este garoto que busca se evadir da realidade numa cidadezinha gaúcha que o diretor filma envolta numa espécie de bruma. Órfão de pai, ele vive com a mãe que supre sua carência na relação com a cachorrinha. Para se comunicar, ou compartilhar seu isolamento, usa o MSN e o YouTube. É fã de Bob Dylan e tem essa fixação na irmã do amigo, que se suicidou. O Bob Dylan de Esmir Filho não é o de Não Estou Lá, de Todd Haynes. Como a maconha que o garoto e seu amigo consomem - ou a bebida que chamam de "felicidade" -, ele representa o mesmo movimento de fuga da realidade para se encontrar.

Os Famosos fala sobre jovens, sobre o (novo) mal do século. Esmir Filho baseou-se no livro de Rodrigo Caneppele. Por mais melancólico que seja seu filme, não é certo que Os Famosos veja na fuga de si mesmo uma solução. O garoto termina comunicando-se com a mãe numa cena emotiva e o desfecho o apanha em pleno processo de mudança, senão de transformação. Esmir Filho virou porta-voz das ansiedade de sua geração no cinema brasileiro? É a pergunta que não quer calar sobre Os Famosos. / LUIZ CARLOS MERTEN

LENY ANDRADE

Quando: Terça, 20 horas. Onde: Bourbon Street (400 lugares), Rua dos Chanés, 127, Moema, tel.: 5095-6100. Quanto: R$ 60

DIVA EXPORTAÇÃO

Stephen Holden, do New York Times, foi vê-la no Birdland, na Rua 44, e a descreveu como "a Sarah Vaughan e a Ella Fitzgerald, simultaneamente, da bossa nova". Seja cantando Dindi (Tom Jobim) ou Night in Tunisia (Dizzy Gillespie), nos clubes de jazz da Big Apple, Leny Andrade virou uma lenda do american songbook. Detalhe: com o mais inconfundível sabor brasuca. É duro conseguir tickets para vê-la nos Estados Unidos, mas eis que ela faz temporada por aqui com um quinteto. Nada menos que imperdível. / JOTABÊ MEDEIROS

CAMERATA ABERTA

Quando: Quarta, às 21 hhoras. Onde: Teatro do Sesc Vila Mariana, Rua Pelotas, 141, telefone: 5080-3000. Quanto: R$ 16

SÓ MÚSICA NOVA

A Camerata Aberta, conjunto recém-criado, faz sua estreia na quarta-feira. O grupo, patrocinado pelo Governo do Estado, nasce com objetivo bem claro: dedicar-se unicamente à interpretação de obras contemporâneas. / JOÃO LUIZ SAMPAIO

HISTÓRIA E CONTRA-HISTÓRIA

Quando: Hoje, a partir das 19 horas. Onde: Livraria da Vila, Alameda Lorena, 1731, Jardim Paulista, tel.: 3062-1063. Quanto: grátis

HISTÓRIA EM DEBATE

Os fatos humanos ganham contornos estimulantes quando comentados por Carlos Guilherme Mota, professor titular de História Contemporânea da USP (aposentado) e de História da Cultura na Universidade Mackenzie. É o que se percebe amanhã, quando ele recebe os leitores para o lançamento de História e Contra-História - Perfis e Contrapontos (Globo), reunião de artigos publicados entre 1973 e 2007. Ali, Mota rebate conceitos da historiografia brasileira. / UBIRATAN BRASIL

JULIANA KEHL

Quando: Terça, às 21 horas. Onde: Choperia do Sesc Pompeia, Rua Clélia, 93, telefone 3871-7700. Quanto: grátis

ESTREIA PROMISSORA

Juliana Kehl mostra no Projeto Prata da Casa as canções de seu promissor CD de estreia. Além de canções próprias, parcerias com Karina Buhr, Dipa, Gustavo Ruiz e a irmã Maria Rita, ela também canta Joyce e Junio Barreto. / LAURO LISBOA GARCIA

ARTUR PEREIRA

Quando: de 31/3 a 30/5, 3ª a 6ª, 13h/19h; sáb. e dom., 13h/18h. Onde: Instituto Moreira Salles, R. Piauí, 844, tel. 3825-2560. Quanto: grátis

BICHOS DE MADEIRA

As esculturas em madeira do mineiro Artur Pereira (1920-2003) ficam geralmente restritas a colecionadores. Mas o Instituto Moreira Salles coloca conjunto de suas peças a público na primeira retrospectiva dedicada ao escultor. / CAMILA MOLINA

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