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Fábio Porchat
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Seis coisas

1 Já queria começar essa crônica de hoje pedindo desculpas. Não consegui responder a todos os e-mails da semana passada. Foram "só" mil. Mas a boa notícia é: o e-mail que tá aí em cima, do lado dessa foto bonita, foi finalmente ativado! Agora não preciso mais fazer apelos. Quando você quiser falar comigo por algum motivo, esse é o caminho mais curto!

FÁBIO PORCHAT, O Estado de S.Paulo

22 Setembro 2013 | 02h22

2. Uma curiosidade: como é diferente o público do jornal do público da internet. Os e-mails que eu recebi foram bastante positivos e até as críticas foram construtivas, todos com respeito e até um certo carinho. Na internet as pessoas só não dão tapa na tua cara porque não dá. Pode reparar nos comentários de qualquer vídeo no YouTube, a raiva e o ódio com que as pessoas escrevem suas observações. Elas xingam, te agridem, te ofendem. Pena perceber que na internet, num lugar onde todos dizem ser o futuro, em que temos a possibilidade de nos comunicar livremente e sermos ouvidos/lidos, as pessoas não aproveitem 100% essa chance.

3. Fiquei assustado com uma coisa que aconteceu essa semana. Uma jornalista deu uma nota sugerindo que eu tinha terminado meu casamento de fachada com a minha mulher para me assumir homossexual e ficar com um modelo loiro, alto e de olhos azuis de uma famosa agência do Rio. E que fui proibido de assumir isso publicamente porque a emissora em que eu trabalho não deixa, e que eu terei que viver nessa mentira para todo o sempre. E de repente, jornalistas começaram a me ligar para eu falar sobre minha saída do armário, sites especulavam quem seria o modelo, blogs faziam teorias de como eu esconderia minha nova realidade, alguns amigos deram entrevistas sobre o tema... Eu virei uma espécie de Daniela Mercury do humor. Mas o que me assustou nisso tudo, não foi a nota maldosa e sensacionalista, foi todo mundo acreditar nela só porque estava ali escrito. A gente lê e trata como verdade. Mas pior, quantas vezes eu também não faço isso? De ler uma notícia e de tomar pra mim como verdade universal. Eu tenho certeza que se a notícia fosse: Antônio Fagundes é gay, eu teria sido o primeiro a falar: hum, olha quem virou purpurina. Mas como foi comigo, eu percebi quão desprotegidas estão as pessoas que podem ter a vida transformada de uma hora pra outra por conta de uma invenção. Eu não sofri exatamente, porque não sou gay e as pessoas a minha volta sabem disso, e mesmo que alguém, ainda sim, tenha ficado na dúvida sobre a minha opção sexual, sem problemas, ruim seria se ficassem em dúvida sobre meu caráter ou moral. Afinal, e se a notícia mentirosa fosse: "Fábio é suspeito de ter estuprado uma menor de idade"!? Muita gente ia ficar com essa pulga atrás da orelha pra todo o sempre porque leu isso em algum lugar. Isso ia permear a minha vida. Eu ia ficar com a sombra desse estupro pra minha vida. Mesmo que o jornal de hoje embrulhe o peixe de amanhã, com a internet e o Google, as informações ficam pra sempre. Me deu medo do que poderá ser a próxima fofoca da vez.

4. Ah, sim, eu prefiro morena.

5. Eu tô em cartaz aqui em São Paulo com meu show solo de stand up Fora do Normal, no Teatro Frei Caneca, às sextas e sábados em sessões duplas, às 21h e às 23h. Vai lá!

6. Eu te amo, pai. Vai dar

tudo certo.

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