João Caldas/Divulgação
João Caldas/Divulgação

Seis artistas com paixão em potência máxima

'Tira Meu Fôlego' é o novo projeto de Elisa Ohtake, que faz uma provocativa mescla de linguagens da arte

HELENA KATZ , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2014 | 02h10

É praticamente um dream team da dança. Cristian Duarte, Eduardo Fukushima, Raul Rachou, Rodrigo Andreolli, Sheila Ribeiro e a própria autora do projeto, Elisa Ohtake, estão no Espaço Cênico do Sesc Pompeia para a temporada de Tira Meu Fôlego. É o novo espetáculo concebido, dirigido e com dramaturgia assinada por Elisa, que produziu, dentre outros, os excelentes Apathia (2004) e Falso Espetáculo (2007).

Misturando dança, teatro e performance em tudo o que faz, desta vez, ela decidiu dar peso maior para a dança. "O teatro e a performance continuam presentes, mas surgiu a inquietação de focar mais em questões específicas da dança, por isso o convite a esses artistas que tanto admiro."

Faz tempo que ela se especializa em borrar os limites entre as linguagens artísticas, e a novidade agora é seu interesse pelas distintas manifestações do que chama de "vitalidade": "Reconheço a existência de certos formatos na dança e deixei claro, no texto do programa, que gosto do entendimento de dança como produção de conhecimento, como pensamento do corpo. E dentre esses formatos, escolhi fazer uma provocação que nos levasse a uma dramaturgia focada na subjetividade das paixões, mas realizasse uma conjunção com a ironia, com a postura blasé".

Todos se dedicaram a descobrir como se dança uma emoção na máxima potência, recorrendo, inclusive, à fala. Para chegar à paixão, estudaram situações limites de dor, morte, festa, a libido foi estimulada. O maior desafio foi entender as formas como o capitalismo nos captura com a sua exploração das emoções e sensações e transforma a paixão em mais uma de suas produções mercadológicas. E a maior dificuldade, a de tentar escapar da espetacularização que se transformou em padrão de comportamento. "Quis provocar de forma contundente para que chegássemos à vitalidade mais radical possível."

O encontro com os cinco artistas foi muito feliz. "De forma geral, quando se juntam pessoas, vão aparecendo problemas no relacionamento. No grupo que formamos, nada disso aconteceu. Ficamos amigos."

A iluminação e a sonoplastia são também de Elisa Ohtake, que criou o cenário em parceria com Cesar Resende, ator que participou de Apathia.

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