Segundo dia do Fashion Rio traz moda menos 'over' para o verão

Tons pastéis predominam nas peças e o estilo romântico não perde vez com seus godês, babados e balonês

Fabiana Cimieri, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2008 | 21h15

A primavera/verão 2009 não vai ser tão "over" quanto aquela que passou. Pelo menos se depender das primeiras grifes a desfilarem na 13ª edição do Fashion Rio, neste domingo, 8, as saias e vestidos não estão mais tão curtas, as maxi-bolsas desaparecerão - e o que se viu foi a predominância de tons pastéis. Mas os babados, as mangas românticas, as saias godês e os shorts balonês continuam com mais força do que nunca.   Veja também: Galeria de fotos do Fashion Rio  Fashion Rio começa com desfalque de grifes famosas   A exuberância latina, que parecia saída de um filme do cineasta espanhol Pedro Almodóvar, foi a tônica do desfile de Thais Losso, ex-estilista da Cavalera e da Sommer, que pela primeira vez apresentou-se no Fashion Rio com marca própria. A latinidade era o tema de sua coleção. Os dez looks eram coloridos e exuberantes, misturando texturas e estampas com um resultado surpreendentemente feminino e harmonioso. A modelagem dos vestidos e saias tinha um toque retrô. O comprimento no meio da coxa, não muito curto, e a cintura marcada no lugar correto, eram levemente inspirados na década de 50.   Thais Losso fez um desfile desapegado das tendências mundiais, mas inspirado em ícones latino-americanos, como Frida Kahlo, Sônia Braga e a personagem venezuelana "Bete, a feia". A estilista se apresentou no meio da Marina da Glória, no espaço destinado as exposições do Fashion Container. Ficou um pouco confuso, porque, como não havia passarelas nem cadeiras como nos desfiles tradicionais, convidados e jornalistas amontoavam-se para assistir a cada entrada das modelos.   A Virzi veio com uma coleção feminina e jovial, inspirada na boneca de madeira russa matrioshka, constituída de uma série de bonecas dentro de bonecas. "Parti da idéia do labirinto que permeia esse universo de muitas mulheres que existem em uma: fragmentos de mãe, menina e mulher, que estão lado a lado no meu cotidiano", sintetizou a estilista Marcella Virzi.   Ela manteve o estilo clássico, com muitas formas retas em calças e saias, mas também explorou as silhuetas mais solta, como muitos drapeados, palas e bolsos. Os tecidos eram leves, como a seda, o algodão e o tule, muito usado nas sobreposições. Além do branco, preto e vermelho, completavam a cartela de cores da Virzi os tons pastéis de azul e o verde petróleo. Os bordados estavam presente e mostram ser uma tendência forte para o verão, assim como as sandálias anabela. No final do desfile, a coreógrafa Deborah Colker fez uma breve performance.   Tropicalismo e Anos 70   A grife Santa Ephigênia fez um desfile inspirado na Copacabana dos anos 70. Num cenário que lembrava um piquenique no parque, as modelos desfilaram vestidos e saias fluidas numa atmosfera de sonho e romantismo. Segundo o estilista Luciano Canale, a idéia era criar uma coleção "sofisticadamente despretensiosa".     Para criar esse clima, ele usou tecidos naturais como a seda e o linho, uma paleta de cores fortes como o pink, amarelo e azul marinho. Os modelos tinham comprimento um pouco acima ou abaixo do joelho. A cintura continua marcada por cintos largos. As rendas e babados, que conferem um toque romântico, foram uma aposta forte nessa coleção. Os óculos continuam grandes, em estilo retrô, e as pulseiras grandes em resina seguem o mesmo estilo. A bolsa-carteira é uma tendência que a Santa Ephigênia também adotou.   Depois dos anos 60, os 70. Se no verão 2008 a Totem se inspirou no movimento hippie, em 2009 a aposta é no tropicalismo brasileiro. Assim como a maioria das grifes, o estilista Fred O'Dorey preparou uma apresentação bem cenográfica, coreografada pela diretora teatral Bia Lessa. Os 30 looks exibidos na passarela trouxeram muita estamparia - o forte da marca -, chamois, linho e tricô."Quis um desfile mais irreverente, mais louco", diz Fred. m dos pontos altos foi a simulação de um casamento na passarela, baseado nas imagens do casamento de Caetano Veloso.   Na cabeça das modelos, arranjos de flores feitos com latinhas de alumínio. Algumas modelos vieram com uma trança de lado e outras com o cabelão armado, à Gal Costa, mostrando que, definitivamente, se depender do que tem sido visto nas passarelas do Fashion Rio, a ditadura do escovão terminou. Na maquiagem, o destaque é a boca, pintada de vermelho. Nos olhos, só um pouquinho de glitter e bastante rímel. No fim do desfile, quatro atrizes levantaram os vestidos e mostraram as barrigas, onde cada uma traz uma letra pintada, formando a palavra "love"   Criatividade   No Fashion Contêiner, cinco estilistas expuseram suas criações. Thais Losso usou o espaço de dois contêineres para recriar a casa de Bete, a Feia. Claudia Kopke e Lucinha Karabitchevsky, da 2K2, apresentaram roupas feitas com um material chamado Tyvek. Totalmente recicláveis, as peças cinza foram confeccionadas para a ópera Fidelio, de Beethoven, e as brancas foram criadas para serem vendidas na loja.   As gêmeas Ana e Juliana Suassuna, de 28 anos, exibiram peças-piloto em algodão cru do que irá se transformar na primeira coleção da Muggia. Juliana, que é coordenadora de estilo da Osklen, disse que não tem a intenção de se pautar pelo calendário da moda, nem de fazer desfiles. "Quero que a nossa marca tenha o seu tempo e o seu estilo, Nossas peças são quase artesanais e são praticamente únicas", disse ela.   Texto ampliado às 22h55

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