Segundo a polícia, assassino de Glauco é conhecido da família

Universitário suspeito do crime estava afastado da igreja inspirada no Santo Daime fundada pelo cartunista

Marcelo Godoy - O Estado de S. Paulo,

12 de março de 2010 | 12h16

Residência do cartunista fica em Osasco

 

SÃO PAULO - Nem tentativa de assalto, nem vingança. O cartunista Glauco Villas Boas, de 53 anos, e seu filho Raoni, de 25, foram vítimas de uma tragédia. O principal suspeito do assassinato seria conhecido da família e frequentaria a Igreja Céu de Maria, fundada por Glauco, inspirada nos cultos do Santo Daime. Segundo a polícia, trata-se do estudante universitário Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, de 24 anos, que já teria um registro por porte de drogas.   

 

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O suposto autor do crime vive no Alto de Pinheiros, na zona oeste da capital, e estaria afastado dos cultos há cerca de seis meses. No fim da noite de quinta-feira, ele teria ido ao encontro de Glauco, levando uma pistola 765. Houve uma discussão e o rapaz disse que iria se matar. O cartunista tentou demovê-lo da ideia. Suas últimas palavras teriam sido: "Não faça isso, não faça isso". Em seguida, teria sido morto com quatro tiros.

 

Nesse momento, Raoni, filho de Glauco, chegou e também foi atingido por mais quatro tiros. Ao todo, o autor dos crimes teria disparado dez vezes, segundo a polícia. Depois de assassinar Glauco e Raoni, o rapaz teria fugido em um Volkswagen Gol.

 

Os corpos de Glauco e Raoni foram liberados no fim da manhã de hoje (12). A pedido da família, o velório será uma cerimônia reservada e o acesso ao público só será permitido no enterro, previsto para amanhã, no Cemitério Gethsemani Anhanguera.

 

Na manhã de hoje, quando a morte de Glauco e Raoni veio a público, a primeira hipótese é de que se trataria de uma tentativa de assalto praticada por dois homens. Horas depois, foi divulgada a informação de que o boletim de ocorrência do crime indicava a participação de um terceiro suspeito, que estaria no Gol.

 

Uma testemunha reconheceu o suspeito como um frequentador da igreja. A partir dessa identificação, a polícia levantou informações sobre o carro e o endereço do rapaz. Até agora, a polícia não confirmou a localização do suspeito.

 

História

 

Glauco Villas-Boas, paranaense de Jandaia do Sul, começou a carreira de cartunista ainda na década de 70, meio por acaso. Na época, ele tinha se mudado para Ribeirão Preto e iria prestar vestibular para Engenharia.

 

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No entanto, no meio do caminho acabou conhecendo o jornalista José Hamilton Ribeiro que adorou o seu trabalho e o contratou para fazer tiras no Diário da Manhã, de Ribeirão Preto. Foi o início de "Rei Magro e Dragolino", que contava as histórias do personagem Dragolino e de um rei. Eles viviam numa era hippie, cheia de loucuras.

 

Pouco depois, em 1977 e 1978, Glauco foi premiado no Salão Internacional de Humor de Piracicaba, e passou a ter algumas tiras publicadas na Folha de S. Paulo. Em 1984, quando a Folha começou a dedicar mais espaço aos cartunistas brasileiros, o paranaense foi chamado para publicar seu trabalho com mais frequência no jornal.

 

Criador de personagens como "Geraldão", "Netão", "Dona Marta", "Ficadinha" e tantos outros, Glauco aliava um humor ácido com a caricatura, herança trazida da época em que fazia desenhos de todo mundo, do professor aos amigos mais próximos. Fiel ao traço peculiar, Glauco desenhava com nanquim no papel e só usava o computador para colorir suas tiras.

 

Desde 2000, o cartunista mantinha os personagens "Ficadinha", que saía aos sábados, e "Netão", publicado às terças e quintas. Seus quadrinhos também eram republicados pelas editoras Opera Graphica e L&PM. Durante sua carreira, Glauco também fez parte da equipe de redatores dos programas TV Pirata e TV Colosso, da Rede Globo.

 

Texto atualizado às 16h15.

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