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Segunda temporada de 'Spartacus' tem novo protagonista

Australiano Liam McIntyre substitui Andy Whitfield, morto no ano passado; série volta à TV no próximo sábado, 10, no Brasil

ALLINE DAUROIZ, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2012 | 03h10

Quando o ator Sérgio Cardoso morreu, em 1972, a novela O Primeiro Amor estava no capítulo 200, a apenas 27 do final, e Cardoso era, ninguém menos, do que o mocinho da trama. Sem opção, o autor, Walther Negrão, teve de substituí-lo às pressas e elencou Leonardo Villar para o papel. Quase 40 anos depois, a TV americana ainda não sabia o que era perder tragicamente um protagonista em plena realização de uma obra. Mas, no ano passado, coube ao roteirista Steven S. DeKnight (de Smallville, Buffy e Angel) a delicada missão de escalar um novo herói para sua série, Spartacus, após a precoce morte do protagonista, Andy Whitfield, aos 39 anos, em consequência de um linfoma não-Hodgkin. E é no próximo sábado que os fãs da série no Brasil vão conferir (na Globosat HD, às 22 h) a 2.ª temporada da trama épica, Spartacus: Vengeance, com o australiano Liam McIntyre - dez anos mais jovem do que Andy - no papel do histórico gladiador que liderou a revolta dos escravos contra a República Romana, de 73 a.C. a 71 a.C.

"Quando soubemos do diagnóstico de Andy (em março de 2010), discutimos muito se deveríamos ou não continuar", disse DeKnight ao Estado, em coletiva para a imprensa internacional, por telefone.

Segundo o roteirista e criador da série, ficou decidido que esperariam a recuperação do ator e, até por isso, partiram para a produção do prelúdio Spartacus: Gods of the Arena, com seis episódios sobre o passado do vilão Batiatus (John Hannah). No fim das gravações, porém, Andy descobriu que seu câncer havia retornado, e preferiu se afastar permanentemente da série.

"O fator decisivo, para mim, foi Andy pedir que continuássemos o show e nos dar bênção para escalar outro ator. Continuar a série é honrar a memória dele", lembra DeKnight.

Andy morreu em setembro passado, mas não sem antes encorajar seu substituto. "Ele me incentivou a fazer o meu melhor", contou McIntyre, conhecido na TV americana por outro papel épico, o do capitão Lew, da série The Pacific (HBO). "Sei que vão comparar nosso trabalho, e uma parte de mim teme não corresponder às expectativas. Mas tenho trabalhado mais do que nunca e sei o peso dessa responsabilidade", disse o ator.

Com uma nova alma para o herói, a equipe de roteiristas decidiu não mudar o personagem, e embora lembre Andy fisicamente, McIntyre garante que não tenta imitar o ator - o que, segundo colegas de elenco, foi crucial para que ele ficasse com o papel, após testes com diversos atores pelo mundo.

"Se copiasse os gestos ou a voz ou qualquer performance do Andy, o personagem ficaria sem alma", diz McIntyre. "Percebi que o que me fazia torcer pelo personagem era a humanidade que Andy deu a ele, tornando-o convincente. Se eu captasse esse espírito, poderia juntar o Spartacus dele com o meu."

Espada e sandália. Neste 2.º ano, a série sofre outra grande perda: a de John Hannah, já que Batiatus, grande vilão, é morto no fim da 1.ª temporada, Spartacus: Blood and Sand, e seu ludus (escola de gladiadores) é destruído. A trama, agora, começa com a fuga dos gladiadores, em uma rebelião que desencadeia o medo na República Romana.

"Vocês verão uma série diferente se levarmos em conta que, agora, não tem mais aquela coisa do andar de cima (romanos) e andar de baixo (gladiadores escravizados). E, claro, sem a oratória vulgar do John Hannah, a história também terá um giro diferente", explica o roteirista.

Alçado ao posto de vilão, o comandante romano Glaber (Craig Parker), que condenou a mulher de Spartacus à escravidão e à morte, agora tem um alto posto no senado e passa a caçar Spartacus. E o subtítulo Vingança embala o dilema do herói.

"Discutimos muito sobre o subtítulo deste ano. Tinha quem achasse Vingança negativo, não heroico", revela DeKnight. "Mas senti que vingança é o conceito que une tanto romanos como os rebeldes. E mostraremos que essa sede de vingança deixará Spartacus em apuros. Ele terá de atender a um bem maior, como manter seu novo exército unido."

Apesar das mudanças, a série, claro, mantém a receita que até já garantiu uma 3.ª safra à história: a típica trama de espada e sandálias, com cenas explícitas de violência e sexo e um ar de quadrinhos, que faz o sangue espirrar na cara do telespectador.

"Não nos preocupamos com o que as pessoas vão pensar. Contamos uma história tão sangrenta e sensual como achamos que deve ser. Se essa história exige castrar e crucificar um cara, vamos fazer", afirma DeKnight. Para ele, esse é o segredo do sucesso que tem mantido cerca de 1,3 milhão de americanos em frente da TV. "Todo mundo adora um bom drama histórico, emocionante e sexy. É arrebatador." 

"Treinos foram uma tortura"

Famoso em produções de TV na Austrália e por peças de Shakespeare, o ator Liam McIntyre, de 30 anos, teve de, literalmente, suar a camisa para ganhar o personagem de Spartacus que, no imaginário popular, deveria ter, entre outros atributos, um abdome tanquinho e músculos invejáveis. Nesta entrevista por telefone à imprensa internacional, da qual o Estado fez parte, ele conta como tem se preparado para o lendário papel.

Spartacus vive sem camisa. Teve de entrar em forma para o papel?

Nos quatro meses de testes para o papel, tentei construir músculos suficientes para parecer, mesmo que remotamente, um gladiador. Estava uns 20 quilos abaixo do peso. E, por alguma razão, eles me mantiveram nos testes e me puseram em todo tipo de inferno, levantando todo o tipo de peso. Foi um treinamento de hipertrofia, uma tortura.

É verdade que seu contrato tem uma cláusula de não aparecer em nu frontal?

Sem falar sobre o meu contrato, estou muito feliz com o fato de que não tenho de mostrar minhas partes frontais durante a temporada. Acho que isso faz todo mundo feliz.

Você prefere fazer as cenas de luta ou as de sexo?

Minha alma de garoto de 10 anos gosta mais da luta. A criança em mim fica pulando e batendo palmas como um idiota quando vê o tipo de coisas que fazemos, com incríveis efeitos especiais. Este é um passo gigante para mim, é maior do que qualquer outra coisa que eu já fiz, e por isso que fico até meio idiota, querendo ver e rever as cenas.

E sobre as cenas de sexo?

Acho que o elenco todo gosta mais das lutas, porque é muito divertido. E estar nu em um grupo de 20 profissionais é a experiência mais estranha que você pode imaginar. Ficar discutindo com o diretor a natureza íntima de fazer amor é como uma reunião de negócios para o sexo. Isso soa horrível, não?

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