Seeed e o seu reggae em alta combustão

Grupo de Berlim se apresenta em SP com a participação do cantor Criolo

JOTABÊ MEDEIROS, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2014 | 02h12

É como se fosse um bebê de James Brown com Bob Marley que tivesse sido amamentado pelo Kraftwerk. Um pouco da melhor música alemã contemporânea para se dançar desembarca hoje na plateia externa do Auditório Ibirapuera com a big band Seeed. São 17 músicos no palco (três MCs, um DJ, dois sopros e um naipe de percussão). O show, que é minuciosamente coreografado, terá a participação do brasileiro Criolo e encerra o Ano da Alemanha no Brasil.

Ragga, dancehall, hip-hop, reggae: o som é conhecido, mas a batida é nova, inesperada, com um componente de modernidade exclusivo. Os três vocalistas (Frank Dellé, Demba Nabé e Peter Fox) é que mantêm a conexão com o reggae em alta combustão. "Estive no Brasil em 2009, lançando meu disco solo. Filmei um vídeo no Vidigal, no Rio, e foi uma experiência intensa. Estou ansioso por voltar aí com a banda completa", afirmou por telefone ao Estado o cantor Frank Dellé, que disse não conhecer Criolo ainda. "Ele nos foi indicado por sugestão das pessoas que estão promovendo o show. Foi só aí que nós fomos ver do que se tratava, com os vídeos. E foi uma grande surpresa. O jeito que ele canta, a forma de se comunicar é internacional. Ele é muito intenso, e pronuncia as palavras de um jeito mágico. Não sei definir seu estilo de forma profissional, mas sei que ele é grande", disse Dellé.

Frank Dellé é alemão, filho de pais africanos de Gana. Entre os 6 anos e os 12 anos, estudou em Gana, onde a cena do reggae é muito forte. "É uma tradição de música muito política, música rebelde. Por outro lado, a música para dançar na Alemanha não tinha tanta popularidade. Nós juntamos as coisas, a mensagem profunda do reggae com as influências europeias", ele diz. "Não é todo mundo que ama o reggae. No começo, o nosso som também não era aceito. Mas dê qualidade às pessoas e você verá que tudo muda."

O Seeed não foi tão seduzido pelas experiências mais frequentes em seu campo dance, como o Massive Attack e o Incognito. "Os nossos instrumentistas, os caras dos metais, alguns deles foram às escolas de música, têm essas influências. É parte do feeling. Mas eu diria que estamos mais para James Brown", afirmou. "Quando começamos, em 1998, era mais reggae, mais Bob Marley, e depois foi incorporando o dub, o eletrônico. Viemos da cena DJ de Berlim, que é musicalmente muito aberta", disse ainda.

"O mais importante é tocar ao vivo. Na verdade, o que nós queremos é que as pessoas vejam o nosso concerto, que aproveitem o conceito de apresentação da música, que envolve dança, iluminação, performance. O primeiro show que eu vi na minha vida foi do Michael Jackson, em 1988. Foi quando eu tive o insight do quanto era importante o ritual de apresentação, de como isso deveria ser orgânico e harmonioso."

Em seu primeiro show na América Latina, o Seeed mostrará seu álbum mais recente e homônimo, Seeed (2012), que começou como um sucesso meio "local", primeiro na Alemanha, Áustria e Suíça, e que se disseminou no último verão europeu pela restante da Europa: França, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Suécia, Noruega e Finlândia. Os promotores do show juram que o Seeed também tem um grande público no Brasil, o que os levou a incluir seus sucessos (sempre cantados em alemão e inglês): Dancehall Caballeros, Ding, Dickes B. e Aufstehen.

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