Orange Fiber
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Seda vegana, tênis de frutas e outras inovações prometem transformar o mercado do luxo

Uma geração de estilistas, cientistas e empresários investe em pesquisas que unem tecnologia e natureza, em busca de soluções sustentáveis para a confecção de roupas e acessórios

Maria Rita Alonso, Especial para O Estado de S. Paulo

11 de agosto de 2019 | 18h57

Tecidos feitos com cascas de frutas, grãos de café, pele de peixe... Já ouviu falar em biodesign? Enquanto a indústria da moda é anunciada como a segunda mais poluente do mundo, perdendo apenas para a de petróleo, uma geração de estilistas, cientistas e empresários investe em pesquisas que unem tecnologia e natureza, em busca de soluções sustentáveis para a confecção de roupas e acessórios.

A gigante Reebok acaba de lançar um tênis de algodão orgânico com sola derivada do milho, chamado Cotton + Corn, à venda no Brasil por R$ 400. Já a Adidas aposta no Futurecraft Biofabric, tênis 100% biodegradável. Em Taiwan, uma empresa de roupa esportiva, a Singtex, desenvolveu um tecido com base no café, aproveitando a função desodorizante do grão para ajudar a conter o odor de suor.

Trata-se do início de uma revolução, na qual o consumidor passa a dar status à matéria-prima e aos processos de produção que prezam pelo meio ambiente e pela reutilização de resíduos naturais. “O novo luxo segue a estética da ética. Essa é uma mudança de paradigma”, afirma Oskar Metsavaht, diretor criativo da Osklen. Protagonista desse movimento no País, é a primeira marca brasileira a ganhar o prêmio da GCC (Green Carpet Challenge) Brandmark, certificador da excelência sustentável que já atestou etiquetas como Stella McCartney e Gucci. Em 2007, Metsavaht criou o Instituto-E, responsável por várias frentes de inovação, entre elas o chamado bioleather, originado da pele do pirarucu e do salmão. 

“Hoje, 48% dos acessórios da marca já são produzidos com o reaproveitamento da pele do pirarucu”, diz Nina Almeida Braga, representante do Instituto-E. Em outra iniciativa do instituto, técnicas de tingimento não poluentes, que reduzem o consumo de água no processo em até 80%, contam com pigmentações naturais da curcuma, do urucum e da clorofila.

“Se toda a cadeia de produção fosse rastreada e transparente, a moda seria uma indústria mais limpa”, diz a jornalista de moda Alexandra Farah, que acaba de criar uma bolsa com o Piñatex, tecido que imita o couro utilizando a fibra das folhas de abacaxi. Batizada de Abacaxi Tech Bag, a bolsa prata de Farah ainda vem com um carregador de celular sem fio embutido e estará à venda em breve no e-commerce Shop2gether. 

Frutas, por sinal, são um hit do biodesign. Da fibra da casca do abacaxi surgem, por exemplo, lonas de tênis de novas marcas como a The Plant Shoe e a Un/Do. Na Itália, a Salvatore Ferragamo lançou uma coleção cápsula com peças em seda vegana desenvolvida pela empresa Orange Fiber, usando fibras de casca de laranja, provenientes dos resíduos de fábricas de suco. Um sucesso. Já imaginou que bom seria se virasse moda etiquetas informativas com a procedência e o histórico de fabricação das peças? / COLABOROU LAYS TAVARES

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