Secretário de Cultura do Rio planeja o futuro

Quase dois meses depois de assumir aSecretaria de Cultura do Estado do Rio, o ator Antônio Grassitem duas metas principais: honrar os compromissos de suaantecessora, Helena Severo, e fazer da administração uma vitrinepara os próximos quatro anos, caso a governadora Benedita daSilva, ex-vice, se eleja para o cargo neste ano. "Temos de pagar os R$ 700 mil do Prêmio deTeatro e os vencedores do Pró-Cine, que chegam a R$ 2 milhões.Para levar adiante nossos projetos, estamos entrando em acordocom a Loterj, que poderá ser a salvação da lavoura", adiantaele. "Nossa principal contradição é o Theatro Municipal, queconsome R$ 27 milhões dos R$ 40 milhões do orçamento daSecretaria." O "prometo" mais urgente de Grassi é criar CaravanasCulturais, para levar espetáculos e oficinas ao interior doEstado, em substituição ao Pró-Cena, que financiava espetáculosa preços populares. "O Rio tem uma particularidade. Aprogramação se concentra na capital, enquanto o interior seressente da falta de atividades culturais. Isso ocorre até comas leis de incetivo federal", lembra ele. "Se fecharmos oconvênio com a Loterj, teremos R$ 50 milhões extras e serápossível, no fim do ano, promover um grande festival com aparticipação de artistas e espetáculos vindos de todo oEstado." Exercer um cargo público fez Grassi deixar de lado acarreira de ator, ao menos até o fim do ano. "Terminei o filmeCarandiru na véspera de assumir a secretaria, no início deabril. Por enquanto, não deu para sentir falta, porque ainda nãoparei", diz ele, que não é neófito em administração pública.Quando o PT fazia parte do governo de Anthony Garotinho, ele erasubsecretário e tomou pé da situação. "Há questões a repensar e outras que são urgentes." A mais premente é o Theatro Municipal, que temprogramação agendada, com assinaturas já vendidas. "Vamoscumpri-la. A primeira montagem, Romeu e Julieta, já está emcartaz. Mas precisamos resolver a questão do concurso para oscorpos estáveis", ressalta ele se referindo aos pedidos deanulação das provas para preenchimento de vagas nos corpos debaile, orquestra e coro. "Quando chegamos, havia um vendaval dedenúncias na Assembléia Legislativa. Entregamos o caso àProcuradoria do Estado e cumpriremos sua decisão. Mas é precisoressaltar que estamos atentos à situação desses profissionais eeles estão colaborando como podem." Ao assumir, Grassi acumulou também a direção doMunicipal, por sugestão da própria governadora Benedita daSilva. "O problema estrutural da secretaria é que os órgãosatuam como ilhas independentes. Tem a Fundação Estadual dosTeatros, a Sala Cecília Meireles, o Municipal, que é a grandevitrine. É preciso um olhar integrado, até para um suprir asdeficiências do outro", explica. "Para que isso aconteça,estamos nos reunindo a cada duas semanas e mantivemospraticamente todas as pessoas da administração anterior. Setemeses é pouco para grandes realizações, mas poderemos cumprir aoque nos propomos."

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