Secretário da Cultura se desentende com Serra

A administração do prefeito José Serra pode ter sua primeira baixa em breve. O secretário municipal da Cultura, Emanoel Araújo, ameaçou pedir demissão na noite de sexta-feira. A gota d´água foi a declaração do prefeito de que pretende levar para o Parque do Ibirapuera novas instalações do Museu de Arte Contemporânea da USP e ampliar a área do Museu de Arte Moderna. As mudanças seriam feitas no espaço ocupado pela Companhia de Processamento de Dados do Município (Prodam). Araújo estava tão revoltado que teve um atrito com o prefeito e queria deixar o cargo ontem mesmo. Um amigo do secretário confidenciou que Emanoel tem outros planos para o Ibirapuera, mas não soube dizer qual seria o projeto. Apesar do descontentamento com o prefeito, Emanoel ainda não se demitiu. O desentendimento teria sido o motivo de Serra não ter comparecido hoje ao lançamento do catálogo Brasil Brasileiro, no Museu Afro-Brasil - do qual Emanoel é curador -, no Pavilhão Manuel da Nóbrega, Ibirapuera. Nos corredores, o comentário era que o prefeito não foi ao evento no museu por receio de que o secretário pedisse demissão durante entrevista à imprensa. Emanoel foi. Mas, ao saber dos comentários e da ausência de Serra, não quis falar com os jornalistas. O prefeito também não se manifestou sobre o assunto. A Secretaria de Comunicação não informou o motivo da ausência do prefeito no evento, previsto em sua agenda. As divergências entre Serra e Emanoel começaram antes mesmo da posse. No período de transição, enquanto os tucanos intensificaram as críticas ao governo Marta Suplicy (PT), Emanoel não só não criticou a gestão petista como fez elogios públicos ao secretário de Cultura de Marta, Celso Frateschi, de quem é amigo há anos. No dia da transmissão de cargo, outro embate. Emanoel programou uma festa em seu gabinete para receber o cargo de Frateschi. Distribuiu convites, colocou prosecco para gelar. Mas depois de um pito de Serra - que proibiu todo o secretariado de fazer festas para não arranhar a imagem do novo governo diante da situação financeira dramática da Prefeitura - teve de desmarcar a reunião, à última hora. Menos de um mês depois, Emanoel voltou para a ser notícia, ao deixar claro que não tinha bom relacionamento com a secretária de Estado da Cultura, Cláudia Costin, sinalizando que a tão prometida parceria entre Estado e Prefeitura, uma das principais bandeiras de campanha de Serra, não ia se tornar realidade na Cultura.

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