Secretária de Cultura de SP quer arte contra o tráfico

Música, teatro, dança ou grafite contra a fama "frágil e efêmera" do narcotráfico. Cláudia Costin, a nova Secretária de Estado da Cultura de São Paulo, assumiu o cargo ontem conclamando a comunidade paulista a usar dessas armas da cultura para driblar a falta de oportunidades dos jovens do Estado. "Quero, com o apoio dos funcionários dessa casa, ajudar a vencer a guerra contra o tráfico - não vamos permitir que nossos jovens encontrem o caminho da fama nas páginas policiais", discursou Cláudia, ex-secretária executiva da Administração no governo Fernando Henrique Cardoso e ex-diretora do Banco Mundial em Washington. "Sei que o desafio é tremendo", ponderou. "Há mais capacidade criativa a ser promovida, captada e disseminada do que recursos para implementar as iniciativas." Entre os convidados da cerimônia, realizada na tarde de ontem no Salão Nobre da secretaria de Cultura, além de familiares da secretária, estavam artistas, políticos e autoridades, como o rabino Henry Sobel, o cantor Arrigo Barnabé e o deputado Walter Feldman, a atriz Ariclê Perez e a escritora Tatiana Belinky. Cláudia Costin elogiou a gestão que a precedeu, de Marcos Mendonça, e anunciou que vai manter seus projetos mais elogiados: o Projeto Guri, as Oficinas Culturais e as Fábricas de Cultura. Mas destacou seus novos planos para a pasta. Uma das propostas é estratificar a política cultural por faixa etária, fixando metas diferentes para "a infância, a juventude, a maturidade e a chamada terceira idade." Outra é manter uma política "integrada" na pasta, ligando por ações cada uma das áreas da cultura (por exemplo: dança e teatro, música e cinema, teatro e música). "É fundamental se estabelecer um processo inteligente e dinâmico de priorização de ações, evitando a pulverização de recursos escassos entre um número excessivo de iniciativas; da mesma maneira devem-se buscar novas fontes de financiamento para as prioridades fixadas, incluindo parcerias público-privado bem construídas", afirmou a nova secretária. Mas o grande eixo de toda sua política, segundo ela, será a leitura. Na avaliação da secretária, as Oficinas de Leitura podem "ser enriquecidas pelo fomento de círculos de leitura, clubes do livro, reaparelhamento de bibliotecas e inúmeras outras ações que nos convertam em leitores". A produção de textos escritos - por meio de concursos literários - também está nos seus planos. Outra medida que ela define como urgente é da "interiorização" da cultura. "Não me refiro aqui a megaprojetos, tão ao gosto de políticos clientelistas", discursou Cláudia. "Falo também de coisas simples, como valorizar as praças das cidades pequenas, trazendo-lhes vida aos coretos, promovendo seu artesanato e novamente aqui, por que não, bibliotecas ambulantes. Poder ler debaixo das árvores e conversar sobre o que se lê. Um sonho, um projeto". Ela falou ainda em incrementar as atividades do Memorial do Imigrante, como forma de celebrar a herança multiétnica do Estado. Veja o índice de notícias sobre os novos governos dos Estados Veja o índice de notícias sobre a transição nos Estados

Agencia Estado,

04 de janeiro de 2003 | 08h58

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