Sebastião Salgado documenta a luta contra a pólio

O fotógrafo Sebatsião Salgado abriu ontem uma exposição na sede da Organização Panamericana de Saúde, em Washington. Vinte fotos suas documentam a luta contra a póliomielite em várias partes do mundo nos últimos cinco anos. O Fim da Pólio vai ficar em cartaz na OPAS até 13 de dezembro, mesmo período em que a organização, que é ligada à ONU, promove uma conferência mundial sobre os futuro das políticas públicas de saúde. As imagens mostram o devastador impacto da doença em crianças e o esforço da chamada Iniciativa Mundial para a Erradicação da Pólio para acabar com a doença até 2005. Salgado fez as fotos da exposição no Congo, Índia, Paquistão, Somália e Sudão, durante o ano passado. O trabalho contou com apoio da Organização Mundial de Saúde, da UNICEF, do Rotary Club Internacional e do Centro de Controle e Prevencão de Doenças dos Estados Unidos. "Descobri a fotografia enquanto fazia doutorado em economia no Brasil em 1973", conta Salgado, hoje com 58 anos. "Queria fazer paisagens, nus e esportes, e sem me dar conta terminei na fotografia social". A história é conhecida, e tem a ver com as ligações políticas de Salgado, notório por lutar pelo direito de povos oprimidos através do registro fotográfico que faz deles ao redor do mundo. Um de seus projetos mais engajados foi a exposição Trabalhadores, no início dos anos 90. "Hoje olhando de longe, é fácil compreender: nasci num país subdesenvolvido, cheio de problemas e tenho um interesse social", afirma o fotógrafo. Ao ser convencido pelo Instituto Pasteur, da França, a documentar a campanha contra pólio, Salgado diz que deixou de lado um trabalho de sete anos sobre imigrantes de todo o mundo. "Durante esse tempo, desejei mostrar a dignidade dos imigrantes, sua coragem e espírito empresarial e também como eles nos enriquecem com suas diferenças individuais", diz. Foto digital - O engajamento social de Sebastião Salgado é sua marca mais caracerística. Mas o preto e branco de suas imagens também virou marca pessoal. Tanto que ele prefere não aderir à fotografia digital, por considerar que existe um vínculo inseparável entre esta tecnologia e a cor. "A tecnologia digital é um passo importante para a fotografia, mas no que me resta de vida vou continuar a levar meus rolos de filme ao laboratório e imprimir as imagens que mais me agradarem".

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