Sebastião Salgado abre mostra em Paris esta semana

"Quero fotografar os 46% do planeta que o homem ainda não destruiu", revelou à AFP o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, que inaugura uma exposição, Territórios e Vida, na quinta-feira, na histórica sede parisiense da Biblioteca Nacional da França.Territórios e Vida permite ver em 136 fotos em preto-e-branco as preocupações essenciais de Sebastião Salgado, fotógrafo para quem a beleza da obra não está nunca separada do testemunho ou da reflexão sobre a sociedade.Dos camponeses do Equador e da Guatemala a mineiros da Bolívia ou do Brasil, passando pelos pescadores da Galícia, pelos refugiados do Sudão ou os operários dos poços de petróleo do Kuwait, Salgado dirige um olhar ao mesmo tempo aguçado e respeitoso aos homens que trabalham, à sua relação com a terra e à destruição da natureza, que anda lado a lado com a degradação das condições de vida dos homens.No entanto, sua exposição começa em uma primeira sala onde o homem está ausente. Nestas fotos, Salgado capta a natureza sozinha (vulcões em atividade) ou os animais na natureza (baleias na Península de Valdés, na Argentina, a fauna das ilhas Galápagos), algo que contrasta com sua obra anterior.O fotógrafo brasileiro explicou esta mudança à AFP: "De fato, eu concebi esta exposição como um prólogo ao projeto no qual estou trabalhando agora, que chamei de ´Gênesis´. Incluí apenas algumas fotos para que as pessoas tenham uma idéia desse projeto"."Nesta exposição só há fotos de exteriores. O homem ligado ao seu planeta, ao seu meio ambiente e, a partir daí, entrou no meio ambiente dos outros animais, na própria natureza, mas depois vamos encontrar também o homem nela. Este é só o começo do projeto", disse. "A partir de agora, vou trabalhar também com o homem. Acabo de voltar da Amazônia, onde passei meses com os índios e parto depois de amanhã para a Namíbia para trabalhar no deserto com tribos nômades", acrescentou."Trata-se de um projeto de dez anos para buscar os 46% do planeta que o homem ainda não destruiu, como a Antártica, os grandes bosques frios do extremo norte e o extremo sul do planeta, grande parte da Amazônia, os bosques tropicais do Congo, uma parte de Papua-Nova Guiné, as cadeias montanhosas com mais de três mil metros que o homem ainda não conseguiu explorar, os grandes desertos...", enumerou."Quero fotografar tudo isso para ver se, talvez um dia, possamos discutir a natureza como discutimos a saúde, todas as questões sociais do homem. Eu acho que se deve incluir o planeta dos homens nesta discussão", avaliou. O fotógrafo considera que terminará as fotos do "Gênesis" em 2011 ou 2012.

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