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Se sua escola não ensina antirracismo, veja o que você pode fazer em casa

Faz tempo que as escolas fracassam em reconhecer a história e as realidades do racismo

Meena Harris, The Washington Post

18 de novembro de 2021 | 15h13

Ao longo do último ano e meio, enquanto a pandemia de coronavírus desencadeava fechamentos de escolas, tentativas erráticas de aprendizagem virtual e diretrizes de segurança confusas, os pais e mães de crianças em idade escolar foram levados à beira do abismo: tiveram de fazer malabarismos entre o emprego em tempo integral e o compromisso de garantir que seus filhos tivessem uma educação segura e de qualidade.

Para os pais e mães de famílias não brancas, incluindo eu mesma, essa crise de saúde foi agravada por uma crise de justiça racial. Enquanto navegávamos pelas duas crises, parlamentares republicanos em 28 estados tentavam impedir que educadores discutissem racismo, equidade e justiça nas salas de aula.

Felizmente, meu estado natal, a Califórnia, onde minhas filhas estudam, não é um deles. Mas nem mesmo os estados mais azuis conseguem escapar do flagelo do racismo no sistema educacional americano: hoje, Nova York, Illinois e, sim, Califórnia, são os estados mais segregados do país para estudantes negros. É uma realidade que senti na própria pele na Área da Baía de São Francisco, onde somos uma das poucas famílias negras do distrito escolar – que, pelo menos no nível do ensino fundamental, não parece ter planos explícitos para discutir antirracismo com uma população disposta (e ansiosa!) para aprender a respeito.

Tudo para dizer que faz tempo que as escolas públicas fracassam em reconhecer a história e as realidades do racismo. A recente cruzada de direita contra a “teoria crítica da raça” – um termo tão ameaçador que seus oponentes nem ousam aprender o que significa – é a mais recente manifestação dessa tendência profundamente enraizada.

Diante de desafios tão assustadores, o que pais e mães devem fazer? Até e a menos que vejamos uma mudança estrutural para reverter a segregação das escolas de nossos filhos e desfazer a branqueamento do currículo, precisamos preencher as lacunas por conta própria.

Claro, para pais e mães negros e pardos, esta não é exatamente uma ideia revolucionária. Muitos de nós já assumimos a responsabilidade de dar a nossos filhos uma lição de história franca e completa que sabemos que eles precisam ouvir – assim como nossos pais e mães fizeram por nós e seus pais e mães por eles. Mas está na hora de todas as famílias americanas começarem a reservar um tempo em casa para discutir as injustiças que moldaram o passado de nossa nação, o trabalho que ainda precisa ser feito em nosso tempo presente e os valores que devem definir nosso futuro.

Uma maneira de começar é com as estantes de livros dos nossos filhos. / TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU. 

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