Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE

Se o Brasil fosse música...

... ele até que poderia ser algo saído do violão de Chico Pinheiro. Mesmo quando tudo vira jazz

Lucas Nobile, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2010 | 00h00

Além de Flor de Fogo, a faixa título, Chico Pinheiro e Paulo César Pinheiro compuseram juntos a bela Recriando a Criação e a brasileiríssima Boca de Siri. "O Paulinho é um caso à parte, seriíssimo. Eu me considero um baita aprendiz trabalhando com ele. Tem muito conhecimento de diversos gêneros brasileiros maior do que muitos catedráticos e é muito prolífico. Você manda uma música pra ele e em três dias ele já te manda a letra. Você pode pensar que vai chegar algo feito de qualquer jeito, mas ele consegue atingir uma profundidade sem ser chato. Paulinho disse que é um desafio colocar letra nas minhas músicas porque elas são muito "malucas". Isso, para mim, não é nenhum elogio, é uma bênção", conta Chico.

Além de trabalhar com o consagrado letrista, o violonista ganhou letras de Tiago Torres da Silva (A Sul do Teu Olhar), Neusa Pinheiro (Wi- no Sertão) e Pedro Luís (Sertão Wi-Fi). E não é exagero dizer que, depois de Meia-Noite, Meio-Dia (2001, relançado neste ano), Chico Pinheiro (2005) e Nova (2007), Chico acaba de botar na praça um disco com o perfume de Tom Jobim e Edu Lobo. Não é só questão de ser um disco bem cuidado, com uma bela orquestração, com o privilégio de contar com o sopro do clarinete de Nailor "Proveta" Azevedo (em Valsa nº 8), com a sanfona de Lula Alencar (em Wi-Fi - no Sertão)e com uma banda competente. Quando Chico resolve falar de Brasil em suas composições, sabe fazê-lo da forma mais genuína possível, como em Boca de Siri e na marcante melodia da instrumental Mamulengo. O mesmo ocorre quando ele passeia por outras searas, como o jazz e a música americana em geral: sem soar caricato.

Não é de agora que Chico vem tendo elogios rasgados de crítica, público e artistas estrangeiros. Desta vez, além de gravar Our Love IS Here To Stay (Ira e George Gershwin), ele compôs com Jesse Harris There''s A Storm Inside, faixa que batiza o disco no exterior. Além disso, contou com as participações de gente que ele admirava há tempos, como o saxofonista e clarinetista Bob Mintzer (em Mamulengo e Flor de Fogo) e Dianne Reeves, na faixa-título There''s A Storm Inside e Buritizais. Ambos também emprestaram seu talento a As, de Stevie Wonder.

CHICO PINHEIRO

Sesc Pompeia. Teatro. Rua Clélia, 93, telefone 3871-7700.

Hoje, às 21 h;

Amanhã, às 18 h. R$ 4 a R$ 16.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.