Se meu apartamento falasse

Em Quando Eu Era Vivo, Sandy interpreta uma inquilina dividida entre Antônio Fagundes e Marat Descartes

FLAVIA GUERRA, O Estado de S.Paulo

07 Outubro 2012 | 03h10

O diretor Marco Dutra sempre foi fã de Sandy. Além de ganhar os CDs da dupla Sandy e Junior na infância, acompanhava todos os passos da cantora. Em 2003, quando já cursava cinema na Escola de Comunicações e Artes da USP, a dupla lançou Acquária. Marco chamou os amigos da ECA para assistir ao filme com ele, mas ninguém quis. "Fui sozinho. Jamais imaginei que um dia dirigiria a Sandy em um filme", contou o diretor ao Estado na última sexta, uma semana depois de concluir as filmagens de seu segundo longa-metragem, Quando Eu Era Vivo.

Inspirado no livro A Arte de Produzir Efeito sem Causa, de Lourenço Mutarelli, o longa traz Marat Descartes, Antônio Fagundes e Sandy como protagonistas. Na trama, Junior (Marat) volta a morar com o pai Senior (Fagundes) após se separar. Além de encontrar um lar em colapso após a morte da mãe e da internação do irmão em um manicômio judiciário (acusado de tentar matar o pai), ele começa a criar uma relação com questões e objetos de seu passado.

Ele passa, então, a entrar em uma espiral de loucura e encontra outro objeto estranho em sua casa: Bruna (Sandy), estudante de música que aluga um quarto na casa e, sem seu conhecimento, é espiada por Senior por um buraco no armário de seu quarto.

A escolha de Sandy para o papel de Bruna, além de inusitada, é corajosa. "Demorei para encontrar a atriz certa para o papel. O Rodrigo (Teixeira, produtor do filme) sugeriu alguns ótimos nomes, mas faltava algo. E o fato dela ser estudante de música na trama pedia que a atriz também tivesse proximidade com o universo musical", relembra Marco. "E ela se mostrou receptiva. Leu o roteiro, nos recebeu em sua casa e assim tudo começou", diz Marco.

Para Sandy, a ideia não poderia ter sido melhor. "Adoro atuar e há tempos não fazia um projeto. Ainda mais um filme. Foi uma surpresa. Estou muito feliz", conta a cantora.

Mais que ter a atriz como diferencial de seu longa, é a combinação quase tarantinesca de três nomes que nunca haviam sido associados em um mesmo projeto que dá frescor a Quando Eu Era Vivo. "O Fagundes sempre foi um nome que tanto eu quanto o Rodrigo queríamos", diz o diretor. Fábio Assunção, por motivos de agenda, teve de recusar o papel de Junior. Foi então que Marat, que estrelou o primeiro longa de Marco (Trabalhar Cansa), surgiu. "Se em Trabalhar o personagem era mais contido, o drama era muito mais interno, o Junior se baseia muito em suas ações", explica o ator, que viu em Sandy uma ótima parceira de cena. "Independentemente do gosto musical de cada um, é preciso admitir que Sandy tem um belo trabalho. É muito talentosa e se dedica muito a tudo que faz. E no caso do filme não foi diferente."

Fagundes se diz suspeito para falar de Sandy. "Minha filha cresceu ouvindo a dupla. Concordo quando o assunto é o trabalho dela. Ela é incrível. Estou curioso agora para ver as cenas."

Apesar de a produção do filme não ter liberado nenhuma foto de cena, nem aberto o set para a imprensa, diretor e elenco adiantam que ação não falta. "A loucura permeia a história da família. E Junior descobre que na infância sua mãe confeccionou crânios de cera, simbolizando as cabeças dele e do irmão, para oferecer como ex-voto em Aparecida. Junior tem uma ideia de realizar um ritual e fazer um ex-voto da cabeça do pai, o único que falta. É uma cena forte", diz Marat.

No livro de Mutarelli, Bruna era uma artista plástica, mas o diretor optou transformá-la em musicista. Mas quem pensa que ela foi escalada para cantar em cena engana-se. "Como cantora, sempre tendo a me preocupar muito com como os outros vão me receber. Desta vez não. Fiz pelo desafio e pela diversão."

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.