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Scorsese também mergulha no 3D

Premiado diretor filma livro infanto-juvenil A Invenção de Hugo Cabret

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

13 Abril 2011 | 00h00

Outro mestre do cinema americano que se enfurna no universo infanto-juvenil é Martin Scorsese, Oscar de direção em 2007 por Os Infiltrados. Scorsese se apaixonou pelo livro ilustrado A Invenção de Hugo Cabret, de Brian Selznick (lançado no Brasil pela SM Editora), publicado nos Estados Unidos em 2007. Foi editado na França pela Bayard.

Hugo Cabret é um menino órfão de 12 anos que vive escondido na estação de trem de Paris no início dos anos 1930. É encarregado de fazer a manutenção dos relógios da gare e, aqui e ali, vai roubando as pequenas coisas que necessita para ir sobrevivendo no dia a dia. Como a ambientação é parisiense, a produção rumou para seu cenário, a Gare de Montparnasse.

O livro é uma homenagem aos primórdios do cinema, e faz referências a obras clássicas de René Clair, Jean Vigo, Truffaut, Robert Lamorisse e, principalmente, George Méliès (no filme, interpretado por Ben Kingsley) e sua Viagem à Lua. O protagonista se faz amigo de Méliès, à época falido e ganhando a vida com uma pequena loja. Além de Kingsley, o filme tem Christopher Lee, Sasha Baron Cohen e Ray Winstone, entre outros.

Scorsese também lança mão, como Spielberg, da técnica de 3D. "Sempre gostei de 3D", confessa Martin Scorsese. "Quer dizer: nós estamos sentados aqui em 3D, nós vemos em 3D. Então, por que não?"

O cineasta defendeu a técnica como uma "liberação", em entrevista ao jornal inglês Guardian: "Cada plano é uma maneira nova de repensar a narrativa, de contar uma história com uma imagem. Eu não estou dizendo que nós devemos continuar a lançar os dardos através da câmera, mas é uma libertação. É literalmente como brincar com um Cubo Mágico cada vez que você elabora um plano, um movimento de câmera ou de grua. Mas é assim também a sua beleza. As pessoas parecem estátuas que se movem. Elas se movem como esculturas, se esculturas se movessem de algum modo. Como bailarinas..."

Para o autor do livro, Brian Selznick, sua obra mistura romance, livro de ilustrações, graphic novel e flip book. Tem mais de 500 páginas, na sua grande maioria preenchidas por ilustrações e também por algumas fotos da época, entremeadas por pequenos blocos de texto. O cruzamento entre fantasia e mundo real é a chave de sua realização.

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