Scliar explora relação entre pai e filho

Em ano de eleição e em plena épocade campanha, em que candidatos atacam candidatos, usando"armas" nem sempre justas tampouco civilizadas, cai bem paraos leitores jovens este volume da coleção Entre Linhas -Adolescência, da Atual Editora. O livro é Aquele EstranhoColega, O Meu Pai, do escritor gaúcho Moacyr Scliar, autor deO Centauro no Jardim e O Exército de Um Homem Só, entreoutros. O pai do título do livro é um político corrupto, masdaqueles que se envolvem em contravenções miúdas. O título doprimeiro capítulo, por exemplo, resume a situação: "O crime nãocompensa - principalmente quando unido à incompetência."Vereador de cidade pequena, ele conseguia pequenos favores paraseus "clientes", como cancelar uma multa. E era muitoatrapalhado. Até que um dia se envolveu em um escândalo deempreiteira, desses que todo mundo conhece no Brasil, e teve omandato cassado. A narrativa é feita sob a ótica de seu filhoadolescente. "Pai é pai, mesmo quando está metido em confusão" diz o garoto. Mas a coisa pesava: o filho rolava na cama,preocupado, com insônia. "Por que diabos tinha o destino medado um pai daqueles?" A partir daí, Scliar, sem muita pretensão de escrever umtratado psicológico ou ético, muda o rumo da história,oferecendo mais ação e menos reflexão. O ex-vereador resolvecompletar o 2.º grau para, mais tarde, realizar o sonho de seradvogado. Para fugir do escândalo político, pai e filho trocamde cidade e acabam matriculados no mesmo colégio, porcoincidência até na mesma sala de aula. Com sensibilidade e, sobretudo, objetividade (o que éimportante para os leitores jovens), Moacyr Scliar constrói umasituação improvável para transmitir suas lições de convivência.De ambas as partes (pai e filho), haverá concessões. O resultadoé que os dois passam a se conhecer melhor e a se respeitar. Serviço - Aquele Estranho Colega, O Meu Pai, de Moacyr Scliar.Atual Editora, 64 págs., R$ 11

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