Scissor Sisters antecipa o ''Dia do orgulho gay''

Pet Shop Boys? MGMT? Gloria Gaynor? Village People?

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2010 | 00h00

Esqueça. O show GLS mais disputado dos últimos anos será certamente o da banda Scissor Sisters. Pouca coisa é mais "disco gay" que o novo álbum da banda, Night Work, cuja capa já estampa uma foto das nádegas do bailarino Peter Reed, que morreu em 1986, feita pelo mito Robert Mapplethorpe.

"Essa foto é uma definição do disco inteiro", disse o líder da banda, o divertido Jake Shears, falando ao Estado por telefone. "É uma foto extremamente sexy, cheia de força, energia. É um grande rabo. Sua mensagem é clara: entre ou saia fora. É o que espero que o disco seja: sexy, mas não apologético, uma espécie de divertido discurso sobre sexualidade.

Night Work, espécie de túnel do tempo em direção ao Studio 54, tem a produção de Stuart Price, que trabalhou com Madonna e Kylie Minogue ("Eu conheci Stuart primeiro, apresentei ele a Kylie", diz Shears). E tem a voz de Sir Ian McKellen, premiado ator inglês, declamando um poema na faixa Invisible Light. "É minha canção favorita no disco. Eu me sinto conectado àquela música, ao clima que ela cria", festeja Shears, que diz que conheceu McKellen na plateia dos próprios shows e depois foi atrás dele para pedir uma colaboração nas coxias de uma montagem de Esperando Godot. É compreensível sua alegria: há alguns anos, o Scissor Sisters quase foi para o vinagre. O álbum Tah-Dah, de 2006, foi um fiasco. Para não acabar com a banda, seus integrantes "deram um tempo".

"Não usaria essa palavra, crise. Diria que a gente tinha trabalho demais. Gastávamos mais tempo trabalhando do que nos divertindo. Queria ter minha vida de volta. Ter dado um tempo da banda foi uma experiência inspiradora, voltamos com gás total", afirma o compositor.

O renascimento se deu em Berlim, para onde Jake escapuliu, e parte dessa rota está registrada nas faixas do disco, como Whole New Way, na qual ele canta (auxiliado por Helen Terry, ícone dos anos 1980): "Encontrei um jeito inteiramente novo de amar você. Isso vai absorver sua mente de novo e, se não acontecer, mudará essa época que atravessamos."

Há outras colaborações no álbum, como Santigold em Running Out e Kylie Minogue em Any Which Way ("Ela é uma amiga muito querida"). A crítica amou e viu ramificações com Giorgio Moroder, Donna Summer, Elton John, Queen. Desde 2004, o Scissor Sister não trazia tanta diversão à cena dance. A banda surgiu no início da década em Nova York, quando Shears conheceu o multi-instrumentista Babydaddy. À trupe, juntou-se a doida performática Ana Matronic (que, reza a história, era hostess de uma boate decadente no Lower East Side e encontrou Jake numa festa de Halloween, na qual ela vestia a fantasia de refugo da The Factory de Andy Warhol). Os outros integrantes são o guitarrista Del Marquis e o baterista Paddy Boom.

A revista inglesa NME definiu o grupo como "uma orgia musical", e anotou: "Liza Minnelli poderia passear pelo palco com casacos de pele e seus imensos cílios falsos que não pareceria nada estranho." As primeiras letras chegaram avacalhando geral. "Onde estão as bichas do cais? Ouvi que elas deram o seu melhor/ E agora estão empregadas numa cadeia de fast food local" (Tits on the Radio). Ou mais esta: "Larguei meu homem em Houston, Texas. Assim que ele terminou o breakfast/ Ele disse: "Oh, baby, não poderia me fritar mais uns ovos?"/ Mas eu já estava longe, com sebo nas canelas" (Music Is the Victim).

SCISSOR SISTERS

Via Funchal.

Rua Funchal, 65, 2144-5444.

Dia 22 de novembro, às 22h.

Preços: de R$ 110 a R$ 300

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