Schlesinger, Chaplin e o macarthismo

À Procura da Felicidade

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2012 | 03h09

15H45 NA GLOBO

(The Pursuit of Happyness). EUA, 2006. Direção de Gabriele Muccino, com Will Smith, Jaden Smith, Thandie Newton, Brian Howe, James Karen, Dan Castellaneta.

Will Smith faz pai dedicado que enfrenta todo tipo de dificuldade para ficar com o filho, após um litigioso processo de separação. Chegam a dormir na rua e ele aceita todo tipo de tarefa por uns trocados. No desfecho, um letreiro informa que o herói, pois se trata de um herói, virou um dos homens mais ricos do mundo. É meio esquisito, mas Smith está bem (e foi indicado para o Oscar pelo papel). Reprise, colorido, 117 min.

Cocaína com Penas: Na Trilha de Osama Bin Laden.

23 H NA CULTURA

(Feathered Cocaine: On the Trail of Osama bin Laden). Islândia, 2010.

Direção de Thorkell S. Hardason e Örn Marino Arnarson.

Documentário que conta a história de Alan Howell Parrot, um dos maiores falcoeiros do mundo, com ligações poderosas no Oriente Médio (e no mundo árabe). Por meio dele, foi possível rastrear Osama bin Laden, outro obcecado por falcões de caça. Reprise, colorido, 81 min.

Noel Rosa, Poeta da Vila e do Povo

0H NA TV BRASIL

Brasil, 2010. Direção de Dacio Malta.

Série produzida para comemorar o centenário de nascimento do grande compositor (em 2010). É formada por cinco episódios e o primeiro, O Nascimento do Poeta, relata a juventude em Vila Isabel, o primeiro sucesso, a parceria com Araci de Almeida, etc. Noel é lembrado/homenageado por Moacyr Luz e Gabriel da Muda, no Samba do Trabalhador, e também participam Roberta Sá, Monarco, Zeca Pagodinho e Omar Jubran. Cada episódio tem sua homenagem (e seus intérpretes musicais). Inédito, colorido, 27 min.

Saudades de Minha Terra

0H30 NA TV BRASIL

Brasil, 2009. Direção de José Nélio Palheta e Aladim Jr.

A história da rivalidade entre duas bandas numa cidadezinha no interior do Pará permite que os diretores Palheta e Aladim Jr. documentem a cultura local. Interessante. Reprise, colorido, 52 min.

TV Paga

Monsieur Verdoux

19H45 NO TELECINE CULT

(Monsieur Verdoux). EUA, 1947. Direção e interpretação de Charles Chaplin, com Martha Raye, Marilyn Nash.

Verdoux é uma espécie de Barba Azul francês, um insaciável conquistador de viúvas ricas (as quais mata). O filme talvez mais polêmico de Chaplin. Estava anos à frente de seu tempo e hoje, na verdade, parece completamente contemporâneo. O humor negro, o discurso pacifista do protagonista - a guerra recém havia acabado e Verdoux diz que está sendo condenado por matar algumas poucas pessoas; se tivesse matado milhões seria um herói, etc. -, tudo isso alimentou discussões e acirrou a perseguição do artista pelo macarthismo. Reprise, preto e branco, 123 min.

Achados e Perdidos

22 H NO CANAL BRASIL

Brasil, 2005. Direção de José Joffily, com Antônio Fagundes, Zezé Polessa, Juliana Knust, Genézio de Barros,

Babu Santana.

Delegado aposenta-se e mantém caso com prostituta. Quando ela é assassinada, ele vira suspeito. O diretor Joffily baseou-se no livro de Luiz Alfredo Garcia Roza para fazer este filme cuja força está no elenco. Antônio Fagundes poucas vezes esteve tão bom, mas é Zezé Polessa quem rouba a cena. Está poderosa, no papel de sua vida (no cinema, pelo menos). Reprise, colorido, 100 min.

Maratona da Morte

22 H NO TELECINE CULT

(The Marathon Man). EUA,1976. Direção de John Schlesinger, com Dustin Hoffman, Laurence Olivier, Roy Scheider, William Devane, Marthe Keller.

Charles Chaplin foi perseguido pelo macarthismo e teve de se exilar na Suíça por causa de M. Verdoux. O pai de Dustin Hoffman nesta ficção também foi perseguido pelo movimento de caça às bruxas liderado pelo senador McCarthy. Isso marcou a infância do garoto e, agora adulto, ele vive testando seus limites, como maratonista. A maratona vira contra a morte quando entra em cena o nazista Laurence Olivier. Schlesinger pode ter feito filmes melhores, mas seu thriller marcou época - e a cena em que Olivier tortura Hoffman na cadeira de dentista ('Is it safe?') é antológica. Reprise, colorido, 125 min.

Vale Tudo

1 H NO TCM

(Slap Shot). EUA, 1977. Direção de George Roy Hill, com Paul Newman, Michael Ontkean, Lindsay Crouse,

Jennifer Warrrenb, Strother Martin, Swoozie Kurtz, M. Emmet Walsh.

Paul Newman faz astro de um time de hóquei cuja carreira está desandando (e a equipe o segue para lugar nenhum). Face à crise, o herói e seus colegas resolvem jogar sujo para reverter a situação. O diretor Hill e o astro Newman haviam feito antes Butch Cassidy e Golpe de Mestre, ambos com Robert Redford, sobre um mundo no qual os heróis só sobrevivem por meio de trapaças. Hill deve ter tido a intuição de que o mundo estava mudando, e era verdade. Pouco antes de Vale Tudo, o presidente Richard Nixon estava sendo apeado do poder (e naquelas circunstâncias). Não admira que ele tenha feito só mais alguns filmes se aposentando, desistindo da carreira (que incluía Oscars e tudo mais). Reprise, colorido, 122 min.

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