Epitácio Pessoa/AE
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Sayad fala dos ajustes na TV Cultura para sindicalistas

Emissora vai cancelar contratos com TV Assembleia e TV Justiça que empregam 450 funcionários

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo

12 de agosto de 2010 | 16h46

A TV Cultura tem uma dívida de R$ 200 milhões, que pode crescer nos próximos meses por conta de sentenças trabalhistas. Possui 2.150 empregados, entre eles um pequeno contingente de funcionários que trabalha de forma irregular e que terá de ser legalizado em breve. A emissora também vai cancelar os contratos que mantém com a TV Assembleia e a TV Justiça, entidades para as quais a TV Cultura produz programas, empregando para isso um efetivo de 450 funcionários.

 

Este foi o quadro apresentado pelo presidente da Fundação Padre Anchieta, João Sayad, em reunião com sindicalistas na manhã desta quinta-feira, 12, para explicar seu projeto de reformulação da emissora. Participaram do encontro representantes dos sindicatos dos Radialistas e dos Jornalistas e também da Central Única de Trabalhadores (CUT) do Estado de São Paulo.

 

O problema imediato da reformulação é o que fazer com os 450 funcionários da TV Cultura que prestam serviços à TV Cultura - a emissora não teria como absorver todos de volta na fundação. Os contratos vão até dezembro, e não serão prorrogados. O Sindicato dos Jornalistas criou uma comissão para acompanhar o caso - pretende propor que as empresas que assumirem os programas absorvam os funcionários demitidos.

 

Os sindicalistas dizem que não acreditam em uma demissão massiva com os ajustes. "É um processo lento, e os funcionários dos programas desativados serão examinados caso a caso", disse José Augusto Camargo, o Guto, presidente do Sindicato dos Jornalistas.

 

Segundo Guto, o principal ponto de discordância foi em relação ao conceito de TV pública que Sayad revelou. "Ele acha que não é um espaço de produção, mas principalmente de veiculação de programação. No meu entendimento, a TV Pública tem de produzir conteúdo público próprio. Mas é um debate que diz respeito ao caráter da emissora, à sua função", afirmou. Os sindicalistas também discordam da afirmação de que, no jornalismo, a emissora não tenha de cobrir o chamado "hard news" (noticiário quente).

 

Ainda nesta quinta, às 19h, na sede do sindicato, haverá um debate convocado pelo movimento Salvem a TV Cultura, que propõe alternativas para a gestão da emissora.

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