Sayad deve comandar a TV Cultura; Markun foi preterido

Informação contraria expectativa nos círculos da cultura e da política sobre permanência do atual presidente

Agência Estado,

22 de abril de 2010 | 19h03

João Sayad (esq.) e Paulo Markun. Fotos: Paulo Giandalia e Janete Longo/AE

 

SÃO PAULO - O Secretário de Estado da Cultura de São Paulo, João Sayad, comunicou oficialmente nesta quinta,  22, à TV Cultura e seus funcionários da secretaria que é candidato à sucessão na Fundação Padre Anchieta.

 

Sayad teve um encontro hoje, às 15 horas, com o conselho da fundação para confirmar que vai disputar a presidência no dia 10 de maio (se eleito, assumiria em 10 de junho). Formalmente, Sayad tem até o dia 3 de maio para oficializar sua candidatura - 7 dias antes do dia marcado para a reunião do conselho.

 

Segundo Sayad, a estrutura da fundação é propícia à criação de uma estrutura de "autosustentabilidade". O economista afirmou acreditar que o Estado pode ter "instituições que são ajudadas pelo governo, mas que tem uma sustentabilidade própria". Também mencionou aos conselheiros a necessidade de modernização da programação da TV Cultura.

 

Para ser presidente da fundação, ele terá de ter o nome indicado por 8 conselheiros, condição que não é considerada empecilho. Sua eleição é certa - além de encabeçar chapa única, tem o apoio de José Serra, candidato à presidência, e do governador Alberto Goldman.

 

Sayad sucederá o jornalista Paulo Markun, que foi preterido em seus planos de disputar a reeleição. "Não tenho nada a comentar sobre a mudança de planos em relação à sucessão na Fundação Padre Anchieta", afirmou laconicamente Markun, que tem 39 anos de jornalismo.

 

A emissora, mantida pelo governo do Estado de São Paulo, alcança 45 milhões de brasileiros por meio da TV, afiliadas e parabólicas. A indicação de João Sayad pegou de surpresa os funcionários. Markun foi eleito em 2007, sucedendo Marcos Mendonça. Segundo seu próprio balanço ao conselho, promoveu um aumento da receita total da fundação - em três anos, esta passou de R$ 184,5 milhões para R$ 215,5 milhões, 17% de crescimento.

 

Esperava-se que Markun continuasse, mas temia-se na emissora que fosse rejeitado pelo próximo governador de São Paulo - seu nome não é bem visto por Geraldo Alckmin, que lidera as intenções de voto no Estado. Outras fontes veem um outro problema em sua gestão: um passivo trabalhista que já chega a R$ 140 milhões.

 

Simultaneamente à eleição de presidente da fundação, também será eleito o presidente do Conselho, que vai suceder Jorge Cunha Lima. Essa é uma escolha interna, e o mais forte candidato, até o momento, é Carlos Vogt.

 

Saindo da secretaria de Cultura, João Sayad deverá ser substituído interinamente por Ronaldo Bianchi, secretário-adjunto de Cultura do Estado de São Paulo. O substituto será definido pelo governador Goldman.

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