Satyros Monta obra de Koltès

Bernard-Marie Koltès não caiu de amores pelo Rio de Janeiro. Em sua passagem pelo País, em meados dos anos 80, o dramaturgo francês deu de ombros para as praias cariocas. Gostou mesmo foi do centro de São Paulo, de jogar fliperama em algum inferninho da Rua Augusta, de se perder pela cidade que lhe parecia uma "Nova York latina e barulhenta".

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2010 | 00h00

Para o diretor Rodolfo García Vázquez, do Satyros, é muito provável que Koltès tenha circulado pela Praça Roosevelt, local onde o grupo apresenta a partir de hoje sua versão para Roberto Zucco, última obra do autor. Escrita pouco antes de sua morte, em 1989, a peça só foi encenada postumamente. No Brasil, mereceu algumas montagens na década de 1990, mas continua bem menos conhecida do que outros de seus textos, como A Noite Antes da Floresta.

Em Roberto Zucco, Koltès volta a esquadrinhar alguns de seus temas constantes: a violência, a solidão, as figuras marginais. A diferença aqui está em sua gênese, motivada por um personagem real: o criminoso italiano Roberto Succo, autor de uma série de assassinatos na França.

"Mas Koltès não escreveu simplesmente a história de um serial killer", pondera Vázquez. Não seria esse o seu interesse, acredita o diretor, que vincula o texto ao momento em que foi criado: quando o escritor já sabia que tinha aids e que não viveria muito mais. "Naquela época, quem tinha a doença e imaginava para quantos outros poderia ter transmitido, se sentia um pouco serial killer também."

Estruturada em cenas curtas, quase independentes, a peça observa o percurso do assassino, interpretado pelo ator Robson Catalunha, e de suas vítimas. O público assiste à encenação em arquibancadas móveis, que são deslocadas pelo espaço cênico, como se estivessem a acompanhar a trajetória desse anti-herói. "O Zucco é um Hamlet do século 20", acredita o diretor. "Ele não tem as rédeas do seu destino."

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