Satyros atualizam tragédia de Sófocles

Os clássicos continuam a rondar a Praça Roosevelt. Depois de encerrar a temporada de 2002 com De Profundis, de Oscar Wilde, a companhia teatral Os Satyros escolheu para abrir a agenda de 2003 uma das mais famosas tragédias gregas, Antígona, de Sófocles, texto monumental em que o dramaturgo disseca o embate entre o poder do rei e o dos deuses.Esta nova leitura de Antígona teve adaptação e tradução de Rodolfo García Vázquez, um dos fundadores dos Satyros, em 1989, a partir da obra do poeta francês Leconte de Lisle (1818-1894). Vázquez tornou contemporânea a tragédia da jovem princesa Antígona, que desobedece um decreto de seu tio, o rei Creonte, e enterra o corpo do irmão, condenado a apodrecer em via pública por ter sido considerado um traidor na guerra de Tebas.Em tempos de globalização e reality shows, Vázquez decidiu utilizar alguns recursos tecnológicos como adereços da tragédia grega. Uma gravação, com o timbre metálico dos rádios instalados em viaturas policiais, anuncia o início do drama que terá, durante 70 minutos, toda sua narrativa permeada da projeção de slides - uma clara alusão à onipotência do rei. "Os olhos do rei Creonte, pairando sobre a cabeça das personagens, podem ser lidos como os olhos de um líder mundial, Bush por exemplo, observando um mundo que também está à beira de uma tragédia", diz Vázquez, que também assina a direção da montagem.Antígona é a terceira peça da trilogia tebana escrita por Sófocles. Antes dela vieram Édipo Rei e Édipo em Colona. No texto que os Satyros colocam em cartaz a partir de hoje, a jovem princesa Antígona, filha de Édipo e Jocasta, decide enterrar seu irmão Polinices, considerado um traidor pelo exército tebano. Creonte, irmão de Jocasta e rei de Tebas, havia ordenado que o corpo de Polinices apodrecesse diante dos olhos dos cidadãos. Por ter prestado honras fúnebres diante do corpo do irmão, Antígona é aprisionada em uma caverna onde receberá até a morte, que deve ser breve, uma pequena ração de vinho e trigo. Em vez de servir como um ponto final a esta sucessão de tragédias, a morte de Antígona serve de estopim para que novas desgraças atinjam a família do rei Creonte."É um dos mais belos textos da tragédia grega", diz Vázquez. "Tivemos muito cuidado para atualizar o tema sem prejudicar o lirismo do texto de Sófocles". A atriz Patrícia Dinely, que já trazia em seu currículo outra tragédia, Fragmentos Troianos, dirigida por Antunes Filho, compõe agora esta Antígona com uma mistura eficaz de revolta e resignação. O elenco é integrado, entre outros, pelas presenças não menos marcantes de Dulce Muniz, Irene Stefânia e Emerson Caperbat.Antígona, de Sófocles, no Espaço dos Satyros, Praça Roosevelt, 214, tel.: 3258-6345. De quinta a sábado, às 21h; domingo às 20h. Ingressos: de R$ 7,50 a R$ 15.

Agencia Estado,

14 de março de 2003 | 17h29

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