Sars afeta programa cultural no Canadá e na Ásia

Com o número de mortos chegando a 500, aameaça da Sars afeta cada vez mais a indústria doentretenimento. A cidade de Toronto, no Canadá, enfrenta umasérie de cancelamentos de produções e grandes eventos, enquantoa organização do festival de Cannes, que começa na semana quevem, mantém-se em alerta. Paralelamente, pelo menos dois filmesque incorporam a epidemia começam a ser produzidos em breve.Desde que a Organização Mundial da Saúde decretou que "viagensdesnecessárias" a Toronto deveriam ser evitadas, há poucos dias a cidade passou a sofrer as conseqüências. O concorridofestival de documentários HotDocs foi reduzido a uma versãoonline, enquanto produções como a de um filme com Richard Gere eJennifer Lopez (o remake do filme japonês Dança Comigo)estão sendo transferidas para outras regiões do Canadá. A produção de filmes e programas de TV em Toronto (o terceiromaior pólo da América do Norte neste mercado) movimenta US$ 1,5bilhão anualmente. Assim, as autoridades locais movimentam-separa tentar reverter o boicote, alegando que o aviso da OMS foicancelado (a região teve 23 vítimas fatais da doença, mas nenhumnovo caso há várias semanas). Campanhas publicitárias estãosendo feitas junto a estúdios de Hollywood para reforçar asegurança da cidade, que passa a oferecer descontos eincentivos.Ainda assim, a falta de informação no showbiz é grande. HalleBerry disse que se recusa a ir filmar em Toronto (sem saber,aparentemente, que a produção deveria acontecer em Vancouver, dooutro lado do país). Charlize Theron também disse ter ficado"apavorada" de estar no Canadá nas últimas semanas (mesmo queem Montreal, que não teve nenhum caso da doença). E a bandaAnthrax (!) cancelou um evento em uma loja local por não quererter contato direto com fãs canadenses. Do outro lado, estrelascanadenses como Mike Myers e Jason Priestley defendem o país egarantem que vão manter suas agendas intactas.Na Ásia, obviamente, a situação é grave: o ShanghaiInternational Film Festival foi cancelado, enquanto em Hong Kongo Film & Market Television Market, um dos maiores eventos daindústria do entretenimento da região, foi adiado para setembro.Os organizadores prepararam uma aparição no FestivalInternacional de Cinema de Cannes, na França, entre os dias 14 e25, para promover as produções asiáticas. A organização dofestival, que até agora diz não ter planos de proibir a presençade profissionais vindos de áreas suspeitas, divulgou umcomunicado dizendo que vai "seguir as regras das autoridadesfrancesas".Nos últimos dias, no entanto, jornalistas canadenses alegaramter tido credenciais negadas pela organização do evento. Aapresentadora Jeanne Beker, do programa Fashion Television,cancelou a viagem porque "nenhuma das estrelas está se sentindoconfortável de falar cara-a-cara com jornalistas canadenses". Enquanto isso, dois filmes que tratam da doença começam a serproduzidos em breve. O primeiro é a comédia de humor negro TheCity of Sars, que deve ser rodado em Hong Kong a toque decaixa por Steve Cheung. O outro seria uma produção chinesa,ainda sem título, estrelada por Gong Li (de Adeus, MinhaConcumbina).

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