Sarkozy está em crise, mas......Carla vai tão bem

Em Paris, La Bruni é toda alegria dirigida por Woody Allen

Gilles Lapouge, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2010 | 00h00

Uma dura temporada para Nicolas Sarkozy. Neste verão, o presidente não foi poupado: a equipe da França de futebol foi ridicularizada na Copa do Mundo na África do Sul. Precisou demitir um dos seus ministros, Christian Blanc, porque fumou, num trimestre, 12 mil de charutos pagos pelo Estado.

Um outro ministro, Eric Woerth, um dos pesos pesados do governo, está enroscado num escândalo financeiro tão intricado que o próprio Eric não sabe mais se é um santo ou um diabo. Enfim, na quinta-feira, num povoado do norte da França, foram descobertos oito cadáveres de recém-nascidos que a mãe, uma mulher "acima de qualquer suspeita", como sempre nesses casos, assassinou.

As coisas não avançam para Sarkozy e a sua popularidade despencou para 30%. Felizmente, quem vai bem é sua mulher, a primeira-dama da França. A magnífica Carla Bruni conseguiu um papel num filme que não é de um principiante, mas do grande diretor americano Woody Allen.

Assim, tivemos a sorte de ver Carla Bruni Sarkozy entrar num mercado da Rue Mouffetard (num maravilhoso bairro de Paris que consegue ser, ao mesmo tempo, ultrapopular e ultraesnobe), para comprar laranjas e saladas. Os paparazzi se aglomeraram em torno das câmeras enquanto as senhoras que faziam compras no local não cabiam de felicidade e orgulho.

Carla parecia muito contente. É preciso dizer que, depois do seu casamento com o presidente, sua carreira de artista não progrediu muito. Enquanto há apenas três anos ela cantava (não muito forte, mas muito bem), depois que veio para o Palácio do Eliseu não participou mais de nenhum concerto. Mas isso é só uma má lembrança, pois Woody Allen permite a ela lançar-se numa nova carreira, de estrela de cinema.

O filme é uma comédia romântica sobre o périplo de uma família americana que vem a Paris a negócios. Sequências de uma Paris atual se misturam àquelas mostrando os "anos loucos" da década de 20. Carla Bruni faz o papel de uma diretora de museu, inteligente, sedutora e culta.

Nessa primeira experiência o seu papel é modesto. Tem direito a duas cenas: aquela em que faz compras na Rue Mouffetard, e uma outra cena noturna, gravada numa boate. Conseguimos saber que Carla estará "usando um vestido florido e sandálias de couro".

Se Woody Allen decidiu rodar esse filme em Paris é porque é apaixonado pela cidade e também porque a capital oferece aos cineastas vantagens fiscais consideráveis. O filme de Woody Allen deve custar apenas 23 milhões. O próprio Allen diz que "em Nova York, uma produção equivalente mobilizaria vários milhões de euros mais".

Scorsese. Outros fazem o mesmo cálculo. Martin Scorsese vai se instalar na cidade daqui a dez dias, para filmar algumas sequências de um filme fantástico, A Invenção de Hugo Cabret, sobre a história de um órfão na Paris de 1930, relojoeiro e ladrão que compartilha sua vida com um robô.

Madonna também chega no início de agosto. E vem a Paris como "realizadora" de um drama histórico consagrado ao rei Eduardo III da Inglaterra, que precisou abdicar em 1936 em favor do irmão George V, já que preferiu se casar com uma plebeia, a americana divorciada Walis Simpson. Na época, a aventura desse romântico rei comoveu o mundo inteiro. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.