Saramago volta atrás sobre Cuba

Invertendo a posição que tomou meses atrás, o escritor português José Saramago disse que não rompeu com Cuba. Saramago disse ao jornal cubano Juventud Rebelde deste domingo que, quando criticou abertamente o governo de Cuba devido ao fuzilamento de três presos, não estava rompendo com o país, mas sim exercendo o direito de dizer o que pensa. "Não rompi com Cuba. Continuo sendo um amigo de Cuba, mas me reservo do direito de dizer o que penso, e de dizê-lo quando achar que devo dizê-lo", afirmou o Nobel de Literatura de 1998. Saramago terá a chance de explicar a nova guinada em sua posição sobre Cuba diretamente ao público brasileiro. Ele é um dos convidados desta terça-feira no Café Filosófico da Livraria Cultura do Conjunto Nacional. O tema do encontro na Livraria Cultura é exatamente Literatura e Engajamento Político. Além de Saramago, participa também o jornalista espanhol Juan Arias, que publicou um livro de entrevistas com o português chamado José Saramago ? O Amor Possível. Em abril deste ano, Saramago publicou um artigo em jornais espanhóis afirmando que os fuzilamentos em Cuba frustraram sua visão sobre a ilha. "De agora em diante, Cuba seguirá seu caminho. Aqui eu fico", disse ele à época. Questão fácil em debates políticos não eleitorais, a eficácia da democracia é problema comentado por Saramago. Ainda ao Juventud Rebelde, ele disse que "não existe isso que chamamos democracia. Há partidos políticos, parlamentos, eleições... você pode derrubar um governo com seu voto e pôr outro. Mas isso não muda muito. Quem você não pode derrubar são exatamente aqueles que influem de forma determinante em sua vida. Multinacionais, finanças internacionais... esses poderes não estão a nosso alcance". Café Filosófico com José Saramago - Livraria Cultura do Conjunto Nacional. Av. Paulista 2.073, tel.: 3170-4042. Dia 14/10 às 19h.

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