Saramago profetiza volta do marxismo

O escritor português José Saramago, prêmio Nobel de Literatura de 1998, que chegou hoje a Bogotá para divulgar seu livro A Caverna, profetizou sobre o resurgimento do marxismo, ao assegurar que as atuais injustiças do mundo obrigarão o homem a configurar novas fórmulas de emancipação. O escritor vai lançar seu livro amanhã no Teatro Municipal Jorge Eliécer Gaitán de Bogotá, marcando mais uma cidade em um giro que já incluiu Buenos Aires e Perú. Depois de Bogotá, a próxima parada do escritor será na Cidade do México em 1.º de março, dia em que está agendado o lançamento de A Cavernana capital mexicana. Lá, o lançamento acontecerá na Plaza del Zócalo, una gigantesca explanada situada em frente ao Palacio Nacional.Dez dias depois, exatamente neste local, está programada a chegada da caravana de 24 comandantes zapatistas, para defender, junto ao Congresso, no dia 11, a aprovação de uma lei que garanta os direitos e a cultura indígenas. A praça será cenário da maior concentração do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN).Especula-se sobre a possibilidade de o escritor participar da marcha ou de que haja um encontro entre Saramago e os dirigentes zapatistas com cuja causa ele tem sido solidário há sete anos.Hoje, em Bogotá, Saramago explicou os motivos que o levam a pensar em uma volta do marxismo, em entrevista publicada pelo jornal El Tiempo. "Todos os dias nascem e morrem pessoas, idéias, amores, ódios. Por que, necessariamente, teorias que nasceram para emancipar não voltarão a encontrar lugar? Perguntou Saramago, acrescentando que as idéias comunistas "virão com outras formulações, outras práticas, mas algo virá, porque a capacidade de sofrimento do homem não é ilimitada". Saramago recordou: "Marx e Engels escreveram que se o homem é formado por circunstâncias, ele terá que formar as circunstâncias humanamente" e assegurou que desse princípio se forma o verdadeiro marxismo, pontuou o autor de Ensaio sobre a Cegueira. Segundo Saramago, a profunda brecha que existe atualmente entre ricos e pobres não se manterá indefinidamente, ao assegurar que "algum dia alguém dirá basta".

Agencia Estado,

21 de fevereiro de 2001 | 17h30

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