Saramago diz que os EUA querem impor nova ordem

O escritor José Saramago, prêmio Nobel da Literatura de1998, classificou os Estados Unidos como uma "autêntica ameaça" ao mundo, acusando-os de tentarem impor uma nova ordempara transformar todos os outros países em subalternos."Parece que a autêntica ameaça do mundo está encarnada num país, os Estados Unidos. Quando se trata de eliminar odiferente, nem sempre se trata de eliminá-lo, mas de reduzir a sua existência", disse o escritor no Teatro Colón de Buenos Aires,perante um a audiência que o aplaudiu de pé, segunda-feira à noite."Não é tanto para eliminar o outro, mas para impor uma nova ordem para transformar todos em subalternos (...) Integrar-se entreseres humanos deveria significar levar o que é próprio", afirmou Saramago, 80 anos, no lançamento de seu último livro, O Homem Duplicado.O escritor criticou a disposição do governo de Washington de lutar contra os países do chamado "Eixo do Mal", considerandoque "o bem e o mal são coisas que estão dentro de nós"."Deveríamos ter muito cuidado quando usamos conceitos como bem, mal, Deus, diabo, porque os usamos como termos alheiosa nós próprios", disse. José Saramago destacou a importância de "resgatar as vozes individuais dentro de uma voz coletiva".O autor do Memorial do Convento voltou a pronunciar-se contra as recentes execuções em Cuba, que o levaram a escreveruma enérgica carta de repúdio publicada no diário espanhol El País."A morte desses homens parece-me absolutamente condenável.Cuba não resolveu nada com essas três mortes, não ganhou nenhuma batalha heróica com elas. A minha solidariedade com opovo cubano permanece intacta, mas isso não quer dizer que tenha de dizer sim a tudo", declarou.O escritor disse começa a escrever um livro sempre pelo título e que o do próximo será Ensaio sobre a Lucidez, que espera ver editado até o final de 2003.

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