Saramago diz que o mundo seria mais pacífico sem religiões

O escritor português José Saramago consideraque a "verdadeira democracia" não existe porque os governospriorizam os interesses do poder econômico e que, sem religiões, omundo seria um lugar "mais pacífico", segundo publicou nesta terça-feira o jornal italiano "La Stampa". "A democracia na realidade não existe. Na minha opinião, quemverdadeiramente manda são instituições que não têm nada dedemocráticas, como o Fundo Monetário Internacional, as fábricas dearmas, as multinacionais farmacêuticas", afirmou oPrêmio Nobel da Literatura (1998). O autor de "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" foi questionado se sua afirmação sobre religião tem alguma relação com a polêmica das recentes declarações do papa Bento XVIsobre o Islã, e respondeu que, se alguém escreveu o texto do discurso para opontífice e este não o leu, agiu de modo "imprudente", mas, se o leu enão tirou a polêmica passagem referente a Maomé, foi "ainda pior".Em discurso na última terça-feira, na universidade de Regensburg, na Alemanha, o papa citou um texto medieval que caracterizava alguns ensinamentos de Maomé como "maus e desumanos", gerando uma onda de protestos, com ataques a igrejas, manifestações e pedidos de líderes muçulmanos para que o papa se retrate. "Dizem que a polêmica frase se referia a eventos do século14, mas pessoalmente acho que deveriam importar mais as coisas queacontecem no século 21", ressaltou o acrescentou o escritor português.

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