Sarah Palin e a sedução que traiu John McCain

Amestrar um político para participar de debates, entrevistas e campanha eleitoral é prática antiga que se intensificou após o antológico debate entre John Kennedy e Richard Nixon em 1960, o primeiro televisionado dos EUA, quando um charmoso Kennedy chegou a parecer mais bem preparado do que o exímio orador Nixon.

ALLINE DAUROIZ, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2012 | 03h07

Porém, a máxima do "imagem é tudo" cai por terra quando o candidato em questão concorre a um dos cargos mais altos da maior potência do mundo e não sabe, por exemplo, por que existem duas Coreias ou que a rainha da Inglaterra não é chefe de Estado em seu país. As situações, que parecem absurdas, são reais e estão no telefilme Game Change, produção da HBO, que estreia amanhã, às 22 h - e escancara o despreparo da ex-governadora do Alasca Sarah Palin, alçada ao posto de vice do senador republicano John McCain, nas eleições de 2008.

Produzido por Tom Hanks e Gary Goetzman, a trama é baseada no livro homônimo sobre os meandros da campanha eleitoral de 2008 e foca no capítulo que explica como Palin foi a escolhida para salvar a campanha de McCain, que afundava diante do carisma de Obama.

Muito bem caracterizada, Julianne Moore faz um retrato mais contido que a sátira de Tina Fey no programa Saturday Night Live. A trama é contada sob o ponto de vista dos assessores da campanha de McCain (vivido por Ed Harris), o coordenador de estratégia Steve Schmidt (Woody Harrelson) e a chefe de campanha Nicolle Wallace (Sarah Paulson), que, num primeiro momento, acham a aposta em Palin "alto risco, que pode trazer alta recompensa".

Assim, a história começa com a entrevista de Schmidt, em 2010, e a difícil questão: "Palin foi escolhida porque seria a melhor vice-presidente da América ou porque ajudaria a vencer a eleição?" É então que, em flashback, vê-se um McCain perdido diante dos resultados desoladores nas pesquisas. Na busca pela parceria ideal, eis que surge a figura da mãe de cinco filhos (o caçula com Síndrome de Down), cristã, militante antiaborto e com 80% de aprovação no Estado em que governava.

Desenvolta e sedutora, Palin parecia o brilho que faltava à campanha de McCain. Mas diante da incapacidade política - que exigiu aulas básicas de História, Geografia e Geopolítica -, passagens políticas polêmicas na trajetória e ego meio descontrolado, percebeu-se que seria preciso muito mais do que simples ensaios de gestos, impostação de voz e um bom figurino. Mas aí já era tarde para virar o jogo.

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