Sapatos italianos vão andar pelo Brasil

Com um desfile e um elegante jantar no Viveiro Manequinho Lopes, no Parque do Ibirapuera, foi dado o primeiro passo da operação a cargo do ICE (Instituto Italiano para o Comércio Exterior) e da ANCI (Associação Nacional das Indústrias Italianas Calçadistas) que pretende vender sapatos italianos masculinos e femininos ao consumidor das classes B+ e A, por meio de joint-ventures com lojas como Arezzo, Daslu e Lita Mortari.Na passarela de 30 m foram apresentados modelos da coleção Inverno 2000 das dez marcas interessadas no mercado brasileiro: Alberto Gozzi, Aldo Brué, Baldinini, Colette, Fratelli Rossetti, Gianna Meliani, Martini Osvaldo, Nando Muzi, Pakerson e Vicini. Esses tradicionais nomes no mercado italiano têm uma produção média de mil pares/dia, exportam 80% da produção ? Europa, Ásia, EUA e países árabes. Os calçados estão na faixa de US$ 50 a US$ 150 (preço de fábrica). Fora uma minoria de modelos clássicos e alguns saltos 15 (feminino), chama a atenção não só o design dos calçados, os couros e detalhes diferenciados, mas a leveza e comodidade do produto ?made in Italy?. Segundo Andrea Ambra, diretor do ICE de São Paulo, os sapatos italianos não concorrerão com os nacionais, já que são mais sofisticados e, no Brasil, têm preços ao consumidor entre R$ 350 a R$ 800. Mirella Beneduci da loja Beneduci, que comercializa a marca Fratelli Rossetti desde 91, diz que pretende dar continuidade ao trabalho. ?Quem investe nesses sapatos busca um couro diferenciado e modelos sem similares nacionais.?Mas a chegada dos importados às prateleiras daqui deve causar algum tumulto, uma vez que é hábito entre vários fabricantes nacionais copiar as idéias dessas marcas italianas. Enquanto os italianos seduziam a platéia com suas propostas para o frio, no Pavilhão do Anhembi 600 expositores apresentavam as coleções de verão 2001, a temporada mais forte de vendas para o setor calçadista, com produção estimada em 534 milhões de pares. Uma estação colorida, com muito brilho, bordados e salto alto é o que sugerem as marcas nacionais. No estande conjunto das marcas Musa, Vanelli, Gutz e Tactile, o arco-íris tomou conta das prateleiras. Atenção às malhas de metal, às pedrarias e às gáspeas transparentes. No Top Fashion, espaço que reúne etiquetas de vanguarda, a Fracci propõe estampas de pois, corações Prada e jeans bordados. Entre os bichos, continuam fortes as cobras e os avestruzes. Heloísa Machado também usou palha e paetê. Gliter sobre tecido garante brilho aos calçados da mineira Staz. Maurício Medeiros, que desenvolveu os sapatos expostos pela Swarovski no MorumbiFashion e também os modelos de Jum Nakao e André Lima na Semana de Moda, lançou a primeira coleção com seu nome,que prima pelo luxo e brilho.

Agencia Estado,

15 de julho de 2000 | 12h13

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