São Sebastião, o padroeiro mais copiado

Desde que o escritor japonês Yukio Mishima publicou o romance autobiográfico Confissões de uma Máscara, em 1949, revelando a emoção do narrador diante de uma reprodução da tela pintada pelo italiano Guido Reni (foto ao lado), São Sebastião tem sido usado como exemplo do martírio gay - a atribuição dessa orientação sexual, no entanto, seria uma invenção do século 19, segundo o livro La Identidad Homosexual. De qualquer forma, depois de Mishima, que posou vestido (ou melhor, despido) de São Sebastião para seu amigo Kishin Shinoyama, em 1963, o inglês Derek Jarman resolver dar a sua versão da história, realizando em 1976 o filme Sebastiane (disponível em DVD), em que o santo fala em latim que não está disposto ao sexo com seu superior militar. O alemão Magnus Hirschfeld (1868-1935), médico pioneiro na defesa dos direitos dos homossexuais, colocou o quadro de Reni na lista das obras de arte mais apreciadas pelos gays, dando margem a uma associação entre desejo homossexual e impulso sádico, tão controvertida como as teorias do sexólogo.

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

26 Junho 2011 | 00h00

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