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São Paulo recebe Festival de Cinema, Arte e Literatura Africana

Na Galeria Olido, evento será o primeiro do gênero na capital paulista

Eduardo Gayer e Jéssica Petrovna, especial para o Estado

30 de outubro de 2018 | 19h55

Uma oportunidade dos próprios africanos contarem sua história em São Paulo. É assim que o curador e escritor angolano Isidro Sanene define o Fescala - Festival de Cinema, Arte e Literatura Africana, que acontece entre os dias 31 de outubro e 2 de novembro, na Galeria Olido. 

Mais de dezessete artistas africanos - a maioria vinda diretamente do continente - estarão reunidos para expor e discutir seus trabalhos no primeiro festival do gênero da capital. São artistas plásticos, produtores, poetas e escritores convidados para contribuir com criação de imagens mais plurais e multifacetadas de um continente tão complexo. “Nós queremos desconstruir a ideia que os brasileiros têm em relação à África”, diz Sanene, curador do evento e integrante do Projeto Raízes, coletivo de artistas africanos residentes no Brasil que organiza o festival. 

Para ele, os ocidentais, em geral, concebem a África como um continente - quando não um país - marcado apenas por fome, miséria e tristeza, com um povo incapaz de governar a si mesmo, sempre infectado pelos piores vírus. “Há gente que pensa que lá é uma selva, com humanos dormindo com leões. Não é assim”. 

Visando justamente desconstruir essa ideia que Isidro Sanene e equipe conceberam a Fescala, dando ao africano o protagonismo de contar ao ocidentais que o continente tem, sim, antropólogos, artistas, historiadores e escritores. 

Na abertura do Fescala, marcada para o dia 31, às 19 horas, também haverá a entrega do prêmio “África e Diáspora” ao antropólogo Kabengele Munanga, professor titular da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, cuja carreira é marcada pela militância contra o racismo. Munanga foi um dos protagonistas no debate nacional em defesa da implantação das cotas e ações afirmativas. 

Os três dias de atividades contarão com a exibição de nove filmes, na presença de figuras internacionais, como o cineasta nigeriano Olawore Sunshine e o produtor cinematográfico Kunta Kinte, do Senegal. Na sexta-feira, 2, fecha o evento o premiado longa moçambicano “Comboio de Sal e Açúcar” (2016), dirigido pelo brasileiro Licínio Azevedo, com histórias de sobreviventes de uma guerra civil. 

Quanto à literatura, escritores como o angolano Josué da Graça e o cabo-verdiano Moustafa Assem debaterão o ensino de negritude e história da África no Brasil. Além de  temas como educação, política e religião na escrita do continente. 

Nas artes plásticas, o evento contempla um exposição coletiva formada por oito artistas, dentre eles Shambuyi Wetu (República do Congo), João Timane (Moçambique) e Mumpasi Meso (Angola). Durante o evento, o público terá a oportunidade de conversar com os expositores sobre o cenário da arte contemporânea na África.

Intervenções de músicas, poesias e danças também são esperadas para fomentar o debate sobre produção artística africana e suas ressonâncias no outro lado do Atlântico. 

O Festival de Cinema, Arte e Literatura Africana é gratuito e acontece de 31 de outubro e 02 de novembro, a partir das 19 horas, na Galeria Olido (Avenida São João, 473, Centro). Ingressos devem ser retirados uma hora antes dos eventos. 

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