São Paulo oferece Nelson Rodrigues a R$ 1

Aplaudida por um público mais amplo no filme Céu de Estrelas, de Tata Amaral, a atriz Leona Cavalli acaba de ganhar o Prêmio Shell por sua estupenda interpretação da prostituta Geni na peça Toda Nudez Será Castigada, de Nélson Rodrigues. Neste fim de semana, esse trabalho de Leona volta à cena no Teatro Sérgio Cardoso e pode ser visto por apenas R$ 1.Toda Nudez Será Castigada, espetáculo dirigido por Cibele Forjaz com o ator Hélio Cícero também no elenco, abre a série Nélson de Todos Nós, um projeto da Secretaria Estadual de Cultura que, durante todo o mês de maio, abriga no Teatro Sérgio Cardoso sete montagens de peças de Nélson Rodrigues, sempre com ingressos a R$ 1,00."Ficamos com uma brecha na programação em maio e decidimos criar o projeto. Até por suas dimensões, uma platéia de mil lugares, o Sérgio Cardoso acaba por abrigar sempre grandes companhias, com grandes nomes do teatro. Achamos que esse era o momento de abrir a sala maior para companhias que fazem teatro de grande qualidade artística, porém não comercial", explica Ana Lee Alvarez, assessora para artes cênicas do secretário de Cultura Marcos Mendonça.Um dos grandes méritos da programação é permitir uma visão de conjunto da obra. "Eu não seria ninguém sem as minhas repetições", disse certa vez o dramaturgo. O desejo de transcender a banalidade do cotidiano, uma constante nos personagens rodriguianos, aparece em suas variações em todas as peças. Uma transcendência buscada obsessivamente, muitas vezes pela morte ou pela pureza.A busca da pureza absoluta marca o comportamento do viúvo Herculano (Hélio Cícero) e de seu filho Serginho (Vadim Nikitin). Mas essa busca será atropelada pelos instintos, que vêm à tona, para Herculano, quando conhece a prostituta Geni, por quem se apaixona.Vadim Nikitin é também o responsável pela direção de Os Sete Gatinhos, desta vez com Cibele no elenco. Nesse caso seu Noronha é pai de cinco filhas. Quatro delas se prostituem, mas todas transferem para a caçula Silene, uma virgem de 16 anos o direito de "ser pura por elas". Mas no momento em que Silene recusa esse papel, a tragédia se abate sobre a família.Em A Falecida, um montagem feita na linha do chamado teatro físico, dirigida por Robert MacCrea, a protagonista Zulmira só encontra uma forma de burlar a mediocridade de sua vida. Planeja para si mesma um enterro de luxo e passa a dedicar todos os seus pensamentos a armar um estratagema para atingir seu objetivo.O que você faria se recebesse um cheque milionário e descontá-lo significasse a riqueza, mas também a indignidade? Em torno dessa idéia gira a trama de Bonitinha, mas Ordinária, espetáculo dirigido por Marco Antônio Braz, sucesso de público, no ano passado, em temporada no Arena.Premiado no Festival de Edinburgo, o espetáculo Flor de Obsessão, com o grupo Pia Fraus tem uma linguagem completamente diferente dos demais. Utilizando bonecos e animação, a companhia formada por Beto Andretta, Belo Lima e Ricardo Lazetta traduz apenas com imagens algumas das obsessões rodriguianas, como o sexo e a morte.A morte é tema central do monólogo Valsa N.º 6. Sob direção de Sérgio Audi, a atriz Kelly di Bertolli interpreta Sônia, uma morta que narra o seu assassinato, ocorrido aos 15 anos. As deliciosas narrativas publicadas sob o título de A Vida como Ela É fazem a trama de Atire a Primeira Pedra. Dirigido por Josemir Kowalick e Telma Dias, com dez atores no elenco, o espetáculo tem como fio condutor a traição amorosa, outro tema caro ao dramaturgo, morto em 1980, que completaria 89 anos em julho.Nélson de Todos Nós - Esta semana, Toda Nudez Será Castigada. Direção Cibele Forjaz; de 10 a 13/5, Bonitinha, mas Ordinária. Direção Marco Antonio Braz; de 17 a 20/5, Os Sete Gatinhos. Direção Vadim Nikitin; de 24 a 27/5, A Falecida. Direção Robert McCrea. Dias 16 e 23/5, Flor de Obsessão. Direção Francisco Medeiros. Sessões às 20h30. Dias 10 e 17/5, Atire a Primeira Pedra. Direção Josemir Kowalick; de 25 a 27/5 Valsa N.º 6. Direção Sérgio Audi. Sessões às 18 horas. R$ 1 00. Teatro Sérgio Cardoso. Rua Rui Barbosa, 153, tel., 288-0136). Até 27/5

Agencia Estado,

02 de maio de 2001 | 16h54

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